BESOURO, o filme
Elenco: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Gênero: Ação
Duração: 120 min.
Distribuidora: Disney
Estreia: 30 de Outubro de 2009
A Capoeira no Brasil vai bem, obrigado. Depois de filmes “fortes”, de ambientação urbana como Cidade de Deus, Carandiru, Salve Geral, dentre outros, é um encanto poder desfrutar de ares que fogem da Estética da violência. Embora a obra retrate um universo de lutas, paixões e disputa, sua abordagem não é a da violência explícita e gratuita. O filme tem algo mais.
Besouro, o filme, - conta a origem da capoeira, essa modalidade de luta/jogo/arte/dança, criada pelos negros brasileiros antes da Abolição (1888) para se defender de ataques e da violência.
A história se inicia em 1924 quando os negros, embora tecnicamente livres desde 1888, continuavam na prática a enfrentar condições desumanas de trabalho nas fazendas, em situações análogas à escravidão. Neste cenário a capoeira é praticada pelos escravos como forma de elevar o moral, transmitir a sua cultura e principalmente, resistir aos seus escravizadores. Para muitos, capoeira é sinônimo de liberdade.
Ela se organiza em duas modalidades principais: a Capoeira Angola e a Regional. A diferença entre elas é que a Angola é mais antiga e um pouco mais lenta. De movimentos furtivos e cadenciados, pode induzir o observador a pensar ser ela menos perigosa e mortal que sua congênere, a Capoeira Regional, porém isso não é verdade.
Esse filme brasileiro inaugura uma nova abordagem temática e pode ser o início de uma era de prosperidade para nossa indústria cultural, pela adesão de plateias cansadas da mesmice. Não é comédia, não retrata a vida na favela, nem tem atores consagrados da Tv. Pelo contrário, trabalha com astros desconhecidos e o ator principal (Aílton Carmo) nem é ator profissional, mas um capoeirista de Salvador. Até mesmo o diretor - João Daniel Tikhomiroff – pode-se dizer um novato. Mais envolvido até agora com peças de publicidade, (João Daniel, o brasileiro mais premiado no Festival de Publicidade de Cannes), encarou o desafio de frente e realizou, em seu primeiro longa-metragem, uma das mais ambiciosas produções nacionais, orçado em 10 milhões de reais. Besouro é um dos vídeos mais baixados do Youtube em menos de um ano de lançamento.
O filme Besouro - da capoeira nasce um herói - é muito bom e a equipe técnica cumpriu com folga aquilo que pretendia ao divulgar a história mais que conhecida nas rodas, de Besouro Mangangá – o maior capoeirista de todos os tempos. Foi bom o lance de contratar o especialista chinês em coreografias especiais Huen Chiu Ku, que faz Besouro literalmente voar, trazendo um quê de modernidade a uma história tradicional da cultura brasileira. Ousadia do jovem diretor, cujo filme desde a estréia tem lhe rendido prestígio e reconhecimento. A grande sacada de João Daniel foi buscar um enredo que aborda a capoeira, arte intrínseca da cultura nacional, hoje difundida em todo o mundo: “Quis fazer o melhor filme de capoeira possível”, explica Tikhomiroff em uma conversa com a imprensa.
Como anuncia a voz em Off nos créditos finais, no começo a Capoeira era proibida, depois, no governo Getúlio Vargas (1930), passa a ser tolerada e institucionalizada para, finalmente, em 2008, ser elevada à condição de Patrimônio Cultural Brasileiro, respeitada e praticada nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Suíça, Japão, Inglaterra, Portugal, Espanha, Israel, Itália, França, etc, etc.
‘A iniciativa de tombamento faz as coisas não desaparecerem’, diz Naná Vasconcelos sobre o título dado pelo Iphan, quando era ministro da cultura o músico Gilberto Gil e depois de cerca de 300 anos de história (da capoeira) no Brasil. Ao lado da capoeira, também o Samba de Roda do Recôncavo Baiano figura desde 2004 como patrimônio cultural imaterial brasileiro , tendo sido no ano seguinte,inscrito na lista das Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, pelo Comitê da Unesco, que considera patrimônio imaterial um repositório da diversidade cultural essencial para a identidade dos povos e das comunidades.
Falando em Naná Vasconcelos, a trilha sonora do filme é uma obra à parte e merece destaque. Trabalho conjunto de Rica Amabis e Nação Zumbi, com participação de Gilberto Gil e Naná Vasconcelos –um dos maiores percussionistas do mundo. Naná introduz o aspecto mágico usando elementos essenciais, simples como a sua própria voz, principalmente nas cenas em que o herói aparece. A trilha sonora de Besouro é absolutamente impecável.
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elisilveria

Sombras de Goya [Goya's Ghosts]
Nos primeiros anos do século XIX, em meio ao radicalismo da Inquisição e à iminente invasão da Espanha pelas tropas de Napoleão Bonaparte (Craig Stevenson), o gênio artístico do pintor espanhol Francisco Goya (Stellan Skarsgard) é reconhecido na corte do Rei Carlos IV (Randy Quaid). Inés (Natalie Portman), a jovem modelo e musa do pintor, é presa sob a falsa acusação de heresia. Nem as intervenções do influente Frei Lorenzo (Javier Bardem), também retratado por Goya, conseguem evitar que ela seja brutalmente torturada nos porões da Igreja. Estes personagens e os horrores da guerra, com os seus fantasmas, alimentam a pintura de Goya, testemunha atormentada de uma época turbulenta. (www.mgtorrent.blogspot.com/2010/06/download-sombras-de-goya-goyas-ghosts.html)
Ficha Técnica:
Título Original: Goya's Ghosts
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 113 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Espanha): 2006
Direção: Milos Forman
Elenco: Javier Bardem (Irmão Lorenzo)
Natalie Portman (Inés / Alicia)
Stellan Skarsgard (Francisco Goya)
Randy Quaid (Rei Carlos IV)
Blanca Portillo (Rainha Maria Luísa)
Michael Lonsdale (Padre Gregorio)
José Luís Gómez (Tomás Bilbatúa)
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Esta é a sinopse oficial de SOMBRAS DE GOYA – filme hispano americano, lançado em 2006. Com direção de Milos Forman, recebeu críticas ácidas em várias partes do mundo, acusado de fazer uma leitura ‘rasa’ de aspectos históricos ligados à Inquisição, bem como às guerras que pipocavam na Europa naquele período. Ao contrário, foi bem recebida e muito elogiada a interpretação de JAVIER BARDEM, considerado por muitos o melhor ator espanhol da atualidade.
Nesse filme ele é padre Lorenzo, que embora não sendo o responsável direto pelo regime da Inquisição, é sem dúvida um grande admirador de suas ferramentas e métodos para obter confissões e demonstração da fé.
Numa época em que a igreja era soberana em autoridade e absolutamente tudo estava abaixo de suas leis, apenas mais um ou dois poderes ousavam desafiar seus preceitos: a força do capital e a tradição da realeza. O confronto entre os poderes fica evidente na cena em que o pai da doce Inês - rico e poderoso homem de negócios - escreve umas poucas linhas e exige que padre Lorenzo assine uma declaração absurda. Evidentemente, sob situação normal ele se nega a assinar tal confissão, mas as coisas mudam quando ele é submetido à tortura. Aí, nem mesmo sua fé em Cristo – que mais tarde mostraria nem ser tão forte assim – é suficiente para dirigir sua vontade. Já a jovem Inês, para se ver livre do suplício deve confessar uma verdade desconhecida por ela. Em meio ao martírio, ela pergunta a seus algozes: .......”A verdade?....diga-me qual é a verdade ...”, na busca de se ver longe da terrível sessão de tortura e violência.
O filme traz subjacente essa discussão entre a VONTADE HUMANA, a VERDADE e a FÉ. Em nome da fé, na Idade Média se torturava, se humilhava, construíam-se verdades, processos, lendas; reputações eram manchadas, vidas eram destruídas.
“Sombras de Goya” é um filme interessante que não esgota as abordagens sobre a vida do grande pintor Francisco de Goya (o favorito da corte). São corretas as críticas feitas ao trabalho do ator sueco Stellan Skarsgard (que faz o próprio GOYA) – embora, nesse caso, antes de julgar o ator, talvez devêssemos culpar a direção do filme, responsável em grande parte pela construção do personagem. O ator principal nesse filme está “esvaziado” e a cena que talvez melhor o simboliza é aquela final, quando a moça (agora uma decrépita Inês) segue rua acima a carroça com o corpo do amado Lorenzo, enquanto Goya segue a moça, a carroça e o morto.
O que salva a obra é a figura sempre impressionante de Javier Bardem. Ganhador de um Oscar em papel coadjuvante em ”No country for Old Men///ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ” (2008), ele está impecável como sempre em mais este enredo polêmico (assim como foi em MAR ADENTRO (2004), quando interpretou um homem tetraplégico em luta na justiça pelo direito de tirar a própria vida.
O ator, aliás, parece que sente prazer em causar furor e provocar as pessoas tanto nos papéis pouco convencionais que escolhe quanto nas atitudes polêmicas em sua própria vida. Agora mesmo, quando acaba de ser anunciado seu recente casamento com a bela atriz Penélope Cruz –dizem que se casaram secretamente nas Bahamas em julho, o site Nops noticia que a separação do casal é iminente.
Com o titulo: “JAVIER BARDEM ASSUME HOMOSSEXUALIDADE”, o site faz uma abordagem tendenciosa, pinçando trechos isolados de uma entrevista que o astro teria dado à revista Elle, para concluir que, depois desta, a Penélope pede o divórcio. ( (www.nops.com.br/2010/07/20/javier-bardem-assume-homossexualidade)
“Eu tive a ótima oportunidade de encontrar Brad duas vezes. Que beleza! Ele é lindo e o seu físico é tão incrível de ver“, disse o ator. “Mas a beleza vem mesmo de lugares diferentes, no jeito que ele anda, a forma como ele se mostra interessado no que você está falando. E aquele corpo é tipo, UOU!“, completou Bardem. Em outra parte da entrevista o ator diz como se sente: “Ele realmente me fez sentir como… Eu não sei, como se eu pudesse me apaixonar por ele. Como uma adolescente ficando maluca e gritando“.
Em minha visão, a declaração do astro não implica automaticamente em assumir o Homo. Pode ser até mesmo uma nova provocação de Bardem.
"Quem não gostou nada dessas declarações foi Penélope Cruz que após ver a entrevista já entrou com o pedido de divórcio e agora só falta a assinatura de Javier. Penélope aparentemente ficou surpresa, mas disse que desconfiou quando o ator não quis ter uma lua-de-mel alegando que iria começar a filmagem de um novo filme, no qual contracenaria com o amor platônico, Brad Pitt. Resta saber se Brad Pitt e Javier Bardem vão dar continuidade às “filmagens” após essa revelação bombástica."
Só nos resta esperar para saber se a notícia é real, ou apenas mais uma forma de angariar publicidade para seu trabalho: “COMER, REZAR, AMAR", ao lado de Julia Roberts, com quem faz par romântico. Recém lançado nos EUA, tem estréia marcada para começo de outubro/2010 no Brasil.
De qualquer modo essa não seria a primeira incursão do ator espanhol no universo homossexual. Em ANTES DE ANOITECER, (ano 2000) vive o poeta cubano Reynaldo Arenas, discriminado e perseguido por ser homossexual, pelo qual recebe o prêmio de melhor ator do Festival de Veneza. Com este filme ganha projeção internacional e se torna o primeiro espanhol indicado ao Oscar de melhor ator.
A filmografia de Javier Bardem inclui entre outros:
· Biutiful (2010) (Longa-metragem), Uxbal
· Comer, Rezar, Amar (2010) (Longa-metragem), Felipe
· The Undead (2008) (Longa-metragem), Conde Drácula
· Vicky Cristina Barcelona (2008) (Longa-metragem), José Antonio
· O Amor nos Tempos do Cólera (2007) (Longa-metragem), Florentino Ariza
· Onde os Fracos Não Têm Vez (2007) (Longa-metragem), Anton Chigurh
· Sombras de Goya (2006) (Longa-metragem), Brother Lorenzo
· Colateral (2004) (Longa-metragem)
· Mar Adentro (2004) (Longa-metragem)
· Segunda-Feira ao Sol (2002) (Longa-metragem), Santa
· Sem Notícias de Deus (2001)
· Antes do Anoitecer (2000) (Longa-metragem), Reinaldo Arenas
· Entre as Pernas (1999)
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Elisilvéria (Marília ago.2010)
PRECIOSA / Precious - com Sapphire; Mo’nique; Mariah Carey e Lenny Kravitz. Direção de Lee Daniels; foi produzido por Oprah Winfrey e Tyler Perry.
Assisti o trailer pelo Youtube e fiquei empolgada com a possibilidade de poder ver o filme todo, agora neste final de semana, Sáb. dia 07/ago. Dirigido por Lee Daniels aborda temática dolorosa, atual e ao mesmo tempo universal: a violência e suas diversas faces (contra a criança; a mulher; o negro) - e os estereótipos, preconceito, desamor.
Por sua atuação vigorosa a atriz Mo’nique (que faz a mãe da personagem principal) acabou levando a estatueta de “melhor atriz coadjuvante”, no Oscar 2010.
Infelizmente, ops..., digo, felizmente, a exibição do Clube foi suspensa em função da inauguração do Auditório Municipal Prof. "Octávio Lignelli", que veio coincidir com a atração que já estava agendada.
O bom dessa ‘má’ notícia é que a cidade terá de volta um espaço privilegiado pela localização e melhorado pela reforma, para apresentações teatrais, cursos, oficinas, enfim tudo relacionado a essa Arte. Embora pequeno (132 lugares) - é um equipamento completo que vem contribuir (e quanto!) para a vida cultural de nossa cidade. Parabéns Marília! Nota dez!
Ficamos na expectativa que Precious – Uma história de esperança seja exibido futuramente.
(Elisilvéria -05ago10 - às 16h55)

O Cantor de Jazz
· Al Jolson - Jakie Rabinowitz (Jack Robin)
· May McAvoy - Mary Dale
· Warner Oland - Cantor Rabinowitz
· Eugenie Besserer - Sara Rabinowitz
· Otto Lederer - Moisha Yudelson
· Bobby Gordon - Jakie Rabinowitz (aos 13 anos)
· Richard Tucker - Harry Lee
(Jazz Singer, The, 1927)
• Direção: Alan Crosland• Roteiro: Jack Jarmuth (legendas); Samson Raphael (peça); Alfred Cohn (adaptação); • Gênero: Drama/ Musical• Origem: Estados Unidos• Duração: 88 minutos• Tipo: Longa-metragem
Quando criança assisti “O Cantor de Jazz” na Tv, na Sessão da Tarde. Tive a sorte de ver o filme original, versão em P/B, de 1927, com Al Jolson. Mesmo pela TV, a visão foi impactante e lembro de ter ficado maravilhada com a beleza da obra, as canções, o vozeirão de Jolson, e claro, acima de tudo, com a visão do ator principal com rosto pintado de preto (blackface).
Era menina e mil incógnitas avultavam então na minha mente. Por que um cantor branco pintaria seu rosto de piche? (na época eu desconhecia sua origem judaica). Na sociedade norte-americana, assim como na brasileira, não é lá grande vantagem ser negro ou passar-se por negro. Se fosse nos dias atuais, uma hipótese aventada é que Jolson estaria talvez querendo homenagear os pretos; mas por qual motivo? Isto não tem lógica.
Hoje penso... seria ele o oposto do polêmico Michael Jackson – que se tingiria de branco em decorrência do vitiligo - 50 anos depois? Antes de fazer The jazz singer Al Jolson já era artista de sucesso em Hollywood e viria influenciar as gerações seguintes (como fez). O que eu, inda menina não sabia, é que o “blackface” era uma variante teatral de grande sucesso, importada da Europa nos anos 1830, que, por ironia, começou a sucumbir logo após o sucesso de The jazz Singer, lançado em 1927.
Os negros norte-americanos detestam, não pelo artista em si, mas por aquilo que a face pintada simbolicamente representa, sendo o negro mostrado quase como uma aberração, dado os exageros. No minstrel show, no qual se fundamenta a interpretação musical de Jolson no filme, os negros são retratados como ignorantes, preguiçosos, supersticiosos e musicais por atores brancos de descendência europeia com a cara pintada de preto, tentando personificar de modo caricatural (ou abestalhado) o negro norte-americano. Como forma de entretenimento o ‘minstrel’ sobreviveu até meados de 1950, quando, a partir das conquistas do Movimento Civil norte-americano, perderia toda popularidade.
Voltando ao ator principal, não foi apenas na música que Jolson se inspirou nos negros. Numa época em que só brancos tinham acesso aos palcos de Nova York, na roupa e no gestual, ele criou um estilo único, que influenciaria as gerações seguintes. Essa influência é claramente perceptível inclusive em Michael Jackson quando este é lírico, romântico, com gestos amplos nas canções apaixonadas.
The jazz Singer é marcante por ser considerado o primeiro filme falado do cinema. Parcialmente falado, na verdade, pois ainda usava legenda de tela inteira e o som era gravado em um disco de acetato. Foi produzido pela Warner Bros. com sistema sonoro Vitaphone. Al Jolson, famoso cantor da época, canta várias canções no filme cuja história é baseada numa peça de mesmo nome, grande sucesso da Broadway em 1925 e 1927. Sua produção foi um marco histórico; projeto arriscado e visionário em uma nova tecnologia, investia suas fichas no cine falado (talkies) quando ainda era enorme o sucesso do cinema mudo.
O Cantor de Jazz foi refeito duas vezes. Em 1953, estrelado por Danny Thomas e Peggy Lee, e em 1980, no remake estrelado por Neil Diamond, Lucie Arnaz e Laurence Olivier.
Grandes cineastas como Charles Chaplin e Serguei Eisenstein, a princípio resistiram em incorporar a novidade do cine falado, porém, quase três anos depois, em 1930, 99% dos filmes eram falados.
Na contramão da evolução do cinema sonoro, grandes carreiras foram dizimadas pela chegada do som. Astros e estrelas apagaram-se, condenados ao ostracismo por não possuírem voz adequada como a de Al Jolson. A esse respeito, é indispensável assistir o clássico “Cantando na Chuva”, com o bailarino GENE KELLY, que mostra as agruras dos astros do cinema mudo quando tiveram de (rapidamente) adaptar-se à novidade do cinema falado.
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(EliSilvéria)
Marília
O que deveria ser a grande notícia da semana (TOM CRUISE e CAMERON DIAZ ESTÃO NO BRASIL), quase passou despercebido e precisou de muito empenho da mídia para ter destaque. Eles estiveram na cidade do Rio de Janeiro muito rapidamente, apenas para promover seu mais recente trabalho; chegaram pela manhã e foram embora na noite do mesmo dia 06 de julho. Sempre simpáticos e gentis como "manda o figurino", os artistas vieram promover seu filme: “Encontro Explosivo", ficando hospedados no COPACABANA PALACE HOTEL.
Cameron passeou de helicóptero pela cidade maravilhosa e se encantou: "Vi o Rio do alto e lamentei muito que a minha passagem por aqui tenha sido tão rápida. Pretendo voltar para passar uns dias e aproveitar bem essas maravilhas. Essa cidade parece cenário de um filme, de tão linda que é!", afirmou.
O COPACABANA PALACE é um hotel 5 estrelas localizado na Avenida Atlântica. Inaugurado em 1923, guarda em seu espaço inúmeras histórias vividas. O suntuoso Copacabana foi pensado ainda no governo do presidente Epitácio Pessoa para atender o grande número de visitantes que acorreriam à então capital do país, em 1922, para a Exposição do Centenário da Independência, evento de proporções internacionais. Devido a problemas técnicos (dificuldades na importação de mármores e cristais) e também climáticos (ocorreu uma ressaca que invadiu os níveis inferiores da obra), o edifício só foi inaugurado em agosto de 1923, quase um ano após o previsto. Nos primeiros dez anos de sua existência, o hotel presenciou alguns eventos históricos e outros dramáticos.
Em 1925 recebeu o primeiro grande personagem internacional: Albert Einstein. Em 1928 hospedou-se em seus aposentos o famoso inventor brasileiro Santos Dumont, antes de retornar à Europa onde se recolheu em definitivo sob profunda crise de depressão, devido ter sofrido algumas tragédias pessoais. Foi num de seus imponentes salões que ocorreu um atentado contra a vida de Washington Luís, também em 1928, que recebeu um tiro dado por sua amante francesa durante uma briga. O presidente foi socorrido por um médico e o caso foi abafado.
O filme “Flying down to Rio”, de 1933, musical onde Fred Astaire e Ginger Rogers dançam juntos pela 1a. vez, é ambientado no requintado Copacabana Palace e graças a seu sucesso o Hotel seria conhecido internacionalmente.
As histórias reais que as paredes do Copacabana guardam podiam servir de roteiro a inúmeros filmes de grande carga dramática ... e sem efeitos especiais.
Uma ótima dica de site para quem quer saber mais: www.copacabana.com/copacabana-palace.shtml
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Eli Silvéria
12/jul/2010

gênero:Drama
duração:01 hs 49 min
ano de lançamento:1972
estúdio:Warner Bros. / Elmer Productions
direção: John Boorman
roteiro:James Dickey, baseado em estória de James Dickey
produção:John Boorman
música:Vilmos Zsigmond
atores: Jon Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty, Ronny Cox, Ed Ramey
"AMARGO PESADELO" (Deliverance-EUA) - um clássico de tensão psicológica, é desses filmes que pretende nos “amarrar” na poltrona. Na época de seu lançamento causou grande emoção e provocou o debate acerca da relação homem versus meio ambiente. Para entender esse aspecto é preciso lembrar que no início dos anos 1970 não era comum a defesa das questões ecológicas como atualmente; a regra era tomar o máximo possível de tudo e todos, e nessa linha vai sendo construída a trama de AMARGO PESADELO.
Um grupo de quatro amigos ( Ed, Lewis, Bobby Trippe e Drew Ballinger) decide descer de canoa um trecho dum rio no estado da Geórgia (EUA), que está prestes a desaparecer devido um projeto de construção de uma barragem que vai dar origem a uma hidrelétrica. Dos quatro, apenas Lewis (Burt Lancaster) demonstra ter uma certa intimidade com as coisas da Natureza, enquanto os demais são claramente pessoas de índole urbana. Antes de iniciarem viagem conhecem um menino que tem qualquer disfunção mental, mas toca esplendidamente seu banjo. Drew Ballinger (Ronny Cox) e seu inseparável violão, mantém com este um diálogo puramente no nível de Arte e Sensibilidade, já que o rapazinho não fala, demonstrando ser autista ou algo assim. Esta é uma das mais belas cenas de todo o filme: o violão provoca e o banjo responde, a princípio timidamente, depois cada vez com mais velocidade e precisão, nesta cena que ficou conhecida como Duelo de banjos. Ao final, o violonista confessa ter perdido a sequência musical, mas enfim eles se encontram, e o que seria um desafio, termina em harmonioso duo.
Ainda nos preparativos da viagem rumo ao desconhecido, os amigos buscam humilhar a gente simples do campo no modo desdenhoso como se dirigem àquela gente da terra ao negociarem o valor do serviço de transporte de seus carros até a cidade mais próxima. Esse erro em breve lhes será fatal.
A viagem, que parecia divertida no início, com corredeiras e paisagem exuberante, logo revela sua verdadeira face. Os amigos Ed Gentry (Jon Voight) e Bob Trippe (Ned Beatty) que haviam se distanciado dos outros dois são atacados por caçadores de índole perversa que os subjuga, e sob ameaça de arma de fogo, estupra um deles. Essa cena do estupro é, sem dúvida nenhuma, a de maior tensão (entre outras) em todo o filme, tendo sido excluída na exibição nos cinemas de vários países ao redor do mundo, inclusive no Brasil, por causar repulsa e grande sofrimento psicológico a quem assiste. O roteirista, sem dúvida alguma é um dos grandes responsáveis pelo sucesso da narrativa. Ao fim, a Natureza mostra quanto pode ser justa, no entanto, sempre superior, subjuga aqueles que ousam desafiá-la.
(Eli Silvéria
Marília às 15h18)
TEMPOS MODERNOS (Charlie Chaplin)
atores: Charles Chaplin, Paulette Goddard , Henry Bergman , Tiny Sandford , Chester Conklin.
Filme americano dos Estúdios United Artists/ Charles Chaplin Productions, realizado em 1936 pelo diretor britânico Charles Spencer Chaplin, também responsável pela música, roteiro, produção e atuação principal.
Tempos Modernos (Modern Times no original) podia se chamar “Tempos Eternos”, pela temática sempre atual: a luta do homem pela sobrevivência face ao poder que o oprime.
Algumas das suas cenas tornaram-se clássicas na história do cinema “Não falado”. Muito embora o cinema falado já existisse desde 1929, é peculiar o fato de Chaplin priorizar o ‘mudo’ em detrimento do ‘falado’, a coqueluche do momento. A esse respeito, é sempre bom rever o maravilhoso ‘Cantando na Chuva’ (com Gene Kelly), uma paródia musical bem humorada sobre os percalços técnicos e humanos a rondar os primeiros instantes do cinema falado.
Voltando à obra-prima de Chaplin, algumas cenas ficam marcadas em nossa memória....Como a da Máquina Alimentadora, que otimizaria o desempenho do empregado, pois ele não mais precisaria parar para almoçar.
A cena do protagonista engolido pela engrenagem da fábrica, peça monstruosa que a tudo consome. Quando ele consegue se livrar, é tomado por uma overdose de lirismo, sai cantando, dançando, ao mesmo tempo que aperta todo botão que vê pela frente, até os mais improváveis.
Certas cenas parecem imitação de uma Realidade Paralela construída pelo Vagabundo. Nesses momentos ele finge ser algo ou alguém que não é, já que a condição geral do personagem não deixa dúvidas quanto a sua situação de carência. O exagero é tamanho, que o resultado final é o riso que se perpetua no tempo. Como o mergulho que dá no riachinho que passa atrás da sua humilde casa.
Talvez a melhor cena seja aquela em que aguarda na delegacia, sentado ao lado da esposa do pastor. Ambos tomam chá, britanicamente. Ela, meio esnobe, um pouco enojada, talvez, talvez ausente. Ele sorri-lhe; tenta conversar, ela nega. Então seus estômagos roncam, num incômodo momentâneo, nem um pouco “finesse”, como se estivessem falando. O cãozinho ladra bravamente, como a lembrar que acima de tudo, existe alguma coisa que nos une a todos. A natureza humana se impõe mais espontânea que culturas, convenções e diferenças de classe, nos fazendo simplesmente isso: seres humanos.
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(Eli Silvéria) às 17h00