"O Curumim" - edição 3o. bim.2011 - parte III



INDOCHINA, A LUTA E A TRADIÇÃO DE UM POVO

Indochina, filme de 1992 de Régis Wargnier, tendo como atriz principal Catherine Deneuve (Eliane Devries) e vencedor do Oscar em várias categorias, representa a luta dos vietnamitas pelo domínio de seu país e de sua cultura diante da colonização imposta pela França. A história, passada na década de 1930, conta que Eliane Devries ganha vários hectares de seringais de um casal vietnamita morto em um acidente. Ela fica com a filha do casal, Camille (Linh Dan Pham), e a educa segundo os costumes franceses, tornando-se a moça uma bela jovem. Porém, mãe e filha se apaixonam por um mesmo oficial da Marinha, Jean Baptiste (Vincent Perez). Eliane desiste de seu amor por causa da filha, mas suas vidas não são nada fáceis em um país em constante guerra.
A região da Indochina é assim conhecida por apresentar influências seculares tanto da cultura chinesa quanto da indiana. Tal região, composta pelo Laos, Camboja e Vietnã, foi domínio francês por mais de meio século até a II Grande Guerra.
A industrialização do século XIX implicou a necessidade crescente de matérias-primas estratégicas, como o petróleo e a borracha. Essa última foi encontrada principalmente no sudeste asiático. Nessa conjuntura, a Indochina foi conquistada e submetida ao colonialismo francês, e desde então se iniciou a resistência nacionalista, sendo liderada, na época da I Guerra Mundial, por jovens revolucionários de inspiração comunista e por estudantes que retornavam da França.
A cultura milenar do arroz e dos canais circulares de irrigação, além dos valores budistas fortemente presentes na região, fizeram com que os indochineses sempre almejassem a independência acima de tudo. A luta contra o colonialismo francês despertou a consciência política dos povos indochineses e o budismo deu margem à criação e ao fortalecimento da identidade nacional, e isso pôde ser mais fortemente percebido nos movimentos de resistência do Vietnã.
Além disso, a presença de um dominador europeu carregou consigo os ideais de liberdade e igualdade, apreendido pelos colonizados. Esses ideais e o próprio partido político, instrumento ocidental, foram usados contra os próprios colonizadores. No caso indochinês, vale observar a peculiaridade da formação do movimento guerrilheiro conhecido como Vietminh e liderado por Ho Chi Minh, assim como a criação do Partido Comunista.
O filme também mostra o hábito das pessoas consumirem o ópio, que é extraído da papoula. Mascado ou fumado, espalhou-se pelo Oriente, provocando euforia seguida por sono onírico, porém, seu uso prolongado leva à dependência e produz decadência mental e física.
As filmagens ocorreram em mais de 90 cenários e locações na Malásia, na França e no próprio Vietnã, e os vietnamitas contribuiram com a participação de inúmeros profissionais em toda a ficha técnica do filme. A Baía de Ha Long, decretada patrimônio mundial pela Unesco em 1993, e que significa “onde o dragão entra no oceano”, com cerca de 3.000 ilhotas de calcário que se elevam das águas, é a mais conhecida baía do Vietnã. A beleza dessa baía, cujas ilhas estão em sua maior parte desabitadas e apresentam um número infinito de grutas, praias e cavernas, pode ser vista na cena em que Jean Baptiste e Camille navegam fugindo de seus inimigos.
Outro aspecto cultural explorado no filme é o teatro, em que se combinam dança, mímica, música e declamações em um só espetáculo. No caso de Camille e Jean Baptiste, suas vidas se tornaram lendárias e os espetáculos retratavam seu dramático amor. A tradição literária vietnamita começou com a tradição oral, incluindo lendas, mitos e canções populares, algumas representadas em caracteres chineses, da época do primeiro reino independente vietnamita. Textos de caráter budista e confucionista (do filósofo Confúcio) apresentavam rima e versos que guardavam formas muito rígidas. A música tradicional apresenta influências da China e da Índia, com instrumentos como o violino monocorde e a cítara vietnamita, assim como nas artes plásticas, a cerâmica e os trabalhos em laca apresentam grande reputação.
Indochina retrata um povo sui generis, invadido em sua terra e plenamente convicto de si; sofrido, porém vencedor. Os valores culturais franceses permaneceram dentro das propriedades dos colonizadores e atualmente nem a língua francesa é considerada, e muito embora os mais velhos ainda a falem, ela já foi superada pelo inglês como segunda língua.
Depois da França, os EUA tentaram dominar a Indochina, o que culminou com a conhecida Guerra do Vietnã. O que para os estadunidenses representava o anticomunismo, para os indochineses era a luta secular por sua independência e fim da dominação estrangeira. Embora os EUA tenham perdido esta guerra, deixaram atrás de si um rastro de destruição e milhares de minas que até hoje estão na iminência de explodirem.
Indochina, a luta de um povo com sua própria tradição, cultura e história, que vive dentro de limites bem definidos, lutando durante séculos pelo direito de viver a sua própria vida.

Mônica Monteiro Garavello = Tradutora e graduanda de Relações Internacionais
(Unesp – Marília)
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Ata e desata

Há 32 anos, em 15 de janeiro de 1978, às 10:00 horas, reunia-se o Colegiado de Diretores do CCM, sob a presidência de Antônio Carlos Franco. Presentes: Maria de Lourdes Morales Horiguella, Benedito André e Paulo Ernesto. Faltas justificadas: Marli Regina de Freitas, Darcy Christianini, Toshi Egashira e da estagiária Cleusa Grauja Merlo. Determinação de tarefas: em 35 mm, dias 15 e 16, “A Divina Criatura”.
Correspondência recebida: lista de filmes em 16 mm da Nadrilon Filmes e Poli Filmes; nota da Tilibra; Sr. Ataliba Teixeira de Castilho; ETP com parte do CCM nos filmes “Escalada ao Poder”, Cr. 270,46; “Jogos de Azar”, Cr. 97,82; “O Pedestre”, Cr. 324,74; “O Jogo com o Fogo”, 357,14; Revista Íris, número 300 de novembro/dezembro de 1977; publicações do Turismo Britânico. Correspondência expedida: Nadrilon Filmes, Ouro Filmes e Empresa Teatral Peduti. Proposta de associados: não houve. Assuntos gerais: era acertada a proposição em 16 mm junto a Nadrilon Filmes, para os filmes de fevereiro e março: dia 01/02, “O Risco de uma Decisão”; 08/02, “Onde os Homens são Homens”; 15/02, “O Magnífico Traído”, 22/02, “A Bela da Tarde”. Em março, dia 01, “Gália”; 08/03, “Ontem, Hoje e Amanhã”; 20/03, “Casanova 70”; 22/03, “Bocaccio 70”. O diretor Paulo Ernesto comunicava que deveriam ser confeccionados novos boletos para a votação do prêmio Curumim. Eram discutidas modificações nas normas que regiam esta premiação. O CCM adquiria os números 49, 50 e 51 da Revista Revue e recebia o número 46 por doação do Sr. Antônio Carlos Franco. O filme “A Herança dos Ferromonti”, com exibição de 2 a 9 de fevereiro, era indicado para a Campanha do Bom Filme. O Sr. José Augusto de Paula era desligado do Colegiado por haver ultrapassado o número de faltas permitidas.

Tino Therezo
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Homenageado do Bimestre

Se você for ao Clube de Cinema em um sábado qualquer, muito provavelmente será surpreendido por um ruído um tanto incômodo, logo após o começo do filme. Apurando mais o ouvido, você se dará conta de que o barulho vem de alguém que come pipoca (e na verdade não passa sem ela). Quem seria? Se você pensou no Pedrinho, então acertou em cheio.
Pois é, isso que hoje em dia parece tão natural (ou nem tanto assim), já foi motivo de uma discussão brava, que eu presenciei aqui no CCM há uns 20 anos, entre o mesmo Pedrinho e alguém ilustre e também muito querido, que muito se incomodou com esse barulho e nunca mais voltou ao CCM.
Seja como for, de Marco (não o Don Juan, do filme com Johnny Depp e Marlon Brando), mas o Pedro mesmo, que é assim que ele se chama, não abriu mão de sua pipoca, muito menos do CCM ou de todas as outras coisas de que tanto gostava e ainda hoje gosta.
Pedro nasceu em Marília, em 03 de março de 1952 (portanto muito, mas muito antes do que eu...) e sempre morou e viveu por aqui. Estudou até o quarto ano primário no grupo Antônio Gomes de Oliveira e começou a trabalhar já com 10 anos de idade, na Papelaria São Luiz, à Avenida Nelson Spielmann esquina com Almirante Barroso.
A seguir, Pedrinho empregou-se na Oficina Marília, à Avenida Sampaio Vidal, perto da antiga Antárctica, tendo como patrão o Sr. Domício Rasmussen. Já como funileiro, profissão que iria assumir pelo resto de sua vida, Pedrinho lá permaneceu por 3 anos, quando com 14 anos de idade foi trabalhar na Oficina Itapuã, cujo dono era o Sr. Francisco Ermínio, um dos ex- diretores do CCM.
Esta oficina, por sinal, ficava perto de minha casa, funcionando junto à Garagem Turma, à Rua Quatro de Abril, entre a Arco Verde e a Campos Sales. Na verdade, a “Turma” era uma empresa transportadora, com caminhõezinhos de três rodas, comandada pelo Sr. Lazinho, pai do nosso querido Heitor Roberto, locutor famoso da Rádio Clube de Marília, “uma das emissoras coligadas” (nunca soube quem eram as outras...).
Eu, em especial, lembro-me das histórias de minha irmã Arlete e de meu primo Zugudu, que passavam trote no pessoal da “Turma”, dando, por telefone, endereços falsos e chamadas inventadas, só para ver os caminhõezinhos passarem, um atrás do outro, naquelas tardes ensolaradas de dias tão calmos, como só uma cidade do interior poderia ter.
Mas, voltando ao Pedrinho: bem, foi justamente na “Turma”, onde trabalhou por mais 10 anos, que o nosso herói conheceu o Sr. Benedito André. Dono de um fusquinha branco e trabalhando no Banco Bandeirantes, perto de lá, Seu Dito sempre aparecia na oficina. Foi numa dessas vezes que, ao conversar com Pedrinho, acabou mencionando o CCM, daí nascendo um convite para conhecer o Clube.


De lá para cá o cinema nunca mais saiu da vida de Pedrinho. Ele, que em sua meninice, vira “Tarzã” (principalmente o primeiro, com John Weissmuller) e “O Homem de Ferro”, nas matinês do Cine Marília, aos domingos pela manhã, agora entrava em um novo mundo, do qual não mais se separaria e por meio do qual faria eternos amigos.
Até para encontrá-los o Cine Marília era referência, pois ao lado dele, na esquina da Rua Campos Sales com a Avenida Sampaio Vidal, ficava o Sr. Antônio, o pipoqueiro mais conhecido da cidade, que também fazia um amendoim salgado como nunca se encontrara igual.
Todo dia, religiosamente, o carrinho de pipocas estava lá, das 16 às 22 horas, tendo em volta os amigos: além do Seu Antônio e de Pedrinho, o Sr. Ezequiel Bambini (gerente do Cine Marília); o meu pai, Seu Catuta, que comandava a “bombonière”; o Geraldo, que trazia numa bicicleta os rolos de filme do Cine São Luiz (assim mesmo, com “z”); o Zé do Cinema, que era o lanterninha...
Pois é, pode parecer estranho para os mais jovens, mas até isso já houve: o lanterninha, sempre “a caráter”, que com um farolete nos conduzia na escuridão do cinema a algum assento vazio; e o carregador de filmes, no caso o Geraldo, que na pressa deixava às vezes cair de sua bicicleta rolos inteiros. Eles vinham numa embalagem de metal, prateada e achatada, como se transportam as pizzas nos dias de hoje, e quando acontecia de caírem ao chão, saíam rolando pela rua, com o Geraldo atrás, resmungando.
Segundo Pedrinho, tanto o Zé do Cinema como o Geraldo chegaram a ir ao CCM (como esse tal vírus do cinema pega!); do Geraldo eu me lembro, pois ele chegava cedo e sempre ocupava uma das poltronas da primeira fila (justamente a que está até hoje quebrada), caindo no sono e roncando nem bem o filme começava.
O Zé do Cinema, depois do fechamento do Cine Marília, trabalhou na Toca Imóveis: eu cheguei a encontrá-lo lá, uma vez ou outra. Mas, confesso que nesses últimos anos nunca mais o vi, nem ao Geraldo. Teriam eles já ido fazer companhia para Elizabeth Taylor, Anselmo Duarte, Humphrey Bogart, Vivian Leigh, Gregory Peck e tantos outros astros e estrelas do cinema? Se sim, eles então estão muito bem acompanhados. Eu pessoalmente só não ia querer ficar perto do Rock Hudson e de alguns outros que tais, mas aí já é uma questão de preferência, né?
Acho que o nosso Pedrinho também prefere as loiras e as morenas (mais essas últimas, senão vai dar briga em casa), ele que é casado com Cláudia Apolinário de Marco, e pai de 3 filhos: Leandro, Pedrinho e Juliana; trabalhando atualmente no “Martelinho de Ouro”, à Avenida Rio Branco, 1472, lá ainda atua como funileiro, lidando também com outras coisas de que muito gosta: além de tecladista nas horas vagas, Pedrinho é restaurador de relógios, especialmente “cucos”.
É esse o Pedro de Marco, um dos atuais diretores do CCM: uma pessoa simples, mas ao mesmo tempo interessado por arte, cultura e principalmente cinema. Se você ainda duvida de sua capacidade artística, vá então conhecer o seu trabalho com relógios ou ainda dê um pulo até sua casa no Natal e confira os enfeites natalinos que ele coloca no jardim! É quase cinematográfico!!!
PS: À propósito, quem perdeu a paciência com o Pedrinho por causa da pipoca foi o ex-professor da Unesp, especialista em Fernando Pessoa, o nosso estimado Décio, casado com minha querida ex-professora de Ciências, Dona Telma. Caro Décio, se você estiver lendo este artigo, atenda a esse meu pedido: releva, vai!! (e volta para o CCM). Afinal, o Pedrinho come pipoca só no começo do filme... (ao contrário de muita gente, que o faz durante toda a sessão!!!??).
(Tino Therezo)

fim.








"O Curumim" - edição 3o. bim.2011 - parte II



Liz Taylor: uma atriz que viverá para sempre

Em abril apresentamos alguns filmes de Elizabeth Taylor, em homenagem à atriz, morta de complicações cardíacas, após uma vida repleta de realizações cinematográficas.
Entre estes filmes, chamaram atenção “Gata em Teto de Zinco Quente” e “Um Lugar ao Sol”. No primeiro, tem-se a história de um poderoso chefe de família, Big Dad, maravilhosamente estrelado por Burt Ives, que está à beira da morte, corroído por um câncer. De olho em sua fortuna, estão sua avarenta nora, Judith Anderson e seu obediente primogênito Jack Carson, que usam até os filhos, manipulados e mal educados, para conquistar as graças do avô rabugento, que não se deixa subornar pelo agrado de ninguém. Numa alusão ao filho pródigo, ele prefere o seu caçula, Paul Newman, no papel de Brick, um alcoólatra e ex-jogador, frustrado pela morte de seu amigo, Striker, supostamente vitimado por causa de Maggie (Elizabeth Taylor), esposa de Brick, que teria seduzido Striker antes dele se atirar pela janela do quarto onde estavam. Independentemente do enredo, o que se vê na tela é um desfile das paixões humanas, surpreendentemente colocadas uma após outra, numa seqüência diabólica que dura somente um dia. Apesar de ser nomeada apenas uma dessas paixões – falsidade, alardeada a todo instante pelo revoltado chefe do clã, estão também lá presentes: a avareza (de Judith e Carson), o desprezo (de Brick por Maggie), a cupidez (de Maggie por Brick), a indiferença (de Big Dad pela esposa), a frustração (de Brick pelo amigo morto), o amor (paterno, filial e fraterno), o carinho (de Maggie por Brick), a inveja (da cunhada por Maggie), a intolerância (de Brick por Maggie). Com tudo isto passando ante nossos olhos – e em tão pouco tempo, poderíamos ficar horrorizados; mas a sequência é tão sutilmente encadeada, que ao final sentimo-nos recompensados e gratos por termos presenciado essa catarse. E por quê? Porque percebemos que todas estas paixões são parte da natureza humana e nela(s) nos reconhecemos: o que nos traz prazer é sabermo-nos parte da comunidade dos homens, que se miram uns aos outros na busca de semelhanças e diferenças. Porém, o que é mais espetacular no filme é que, apesar do sofrimento trazido pelas paixões, no fim as coisas parecem caminhar subitamente para melhor. E, de novo, por quê? Porque, à maneira da psicanálise, todos os sentimentos foram tornados conscientes durante o filme; foi possível assim “saboreá-los” e sabê-los (do latim sapore = saber). Pois não é proibido ao homem ser afetado por essas paixões. Ao contrário, é próprio dele senti-las, já que fazem parte da natureza humana. Mas o grande golpe de nossa inteligência sobre elas é justamente este: conhecê-las, sabê-las no nosso interior para que só assim possamos controlá-las, aceitá-las e compreendê-las, entendendo melhor a nós mesmos e a nossos semelhantes.

O outro filme que causou comoção foi “Um Lugar ao Sol”. Aqui, Montgomery Clift está mais esplendoroso que a própria Elizabeth Taylor. Ele vive o papel de George Eastman, um jovem humilde que, querendo subir na vida, vai trabalhar na fábrica do tio rico. Lá, Monti se enamora de uma pobre e ingênua operária, Alice (Shelley Winters), sua companheira na linha de montagem. Acontece que, durante uma festa dada pelo tio, Monti acaba conhecendo Angela Vickers (Elizabeth Taylor), em quem vê uma oportunidade de seguir uma vida mais cômoda e talvez feliz. Por isso, George tenta agora se desvencilhar da pobre Alice que, a esta altura, já grávida, vai lutar pela realização de seu casamento com ele. Para resolver o caso da forma mais definitiva possível, Monti acaba provocando a morte da pobre Alice, que se afoga num acidente (ou assassinato?) num lago, durante um passeio de barco. Esta história se assemelha à de Woody Allen no filme “Match Point” (Ponto Final), em que também ocorre a morte de Scarlett Johanson por força das circunstâncias provocadas pelo noivo, outro alpinista social. Nos dois filmes, mas principalmente no mais antigo, prepondera o planejamento frio e calculista da morte e, depois, o arrependimento. De novo, vemo-nos diante da mente humana e do que ela é capaz: em Monti, percorremos os caminhos sombrios e gélidos de sua inteligência cruel e racional. É fascinante adivinhar, por sua expressão facial, pelo seu olhar distante e pelo seu jeito dissimulado, o que vai de horroroso em seu pensamento diabólico. Percebe-se até mesmo o momento em que Monti tem a ideia de cometer o crime: ao mesmo tempo em que escuta a notícia de um acidente, ele movimenta os olhos, a luz brilha em suas pupilas e ele desvia o olhar – é simplesmente extraordinário!!

Mas, o mais surpreendente é que, após o crime-acidente, ele mesmo, Monti, não sabe se foi ou não culpado pela morte da namorada. Que caminhos ele tem de percorrer para buscar no fundo de sua mente a resposta para isso!! O fato de ter desejado a morte de Alice e de tê-la planejado até quase as últimas conseqüências, faz dele um assassino, ou não? Mesmo depois da virada do barco, já com Alice se afundando na água, ele poderia tê-la salvo ou pelo menos ter-se esforçado para isso? Bem, no fim do filme, Monti vai precisar de um pastor protestante para ajudá-lo a encontrar a resposta. Ao cabo, a morte na cadeira elétrica será menos dolorosa que a própria dúvida sobre sua culpa. Afinal, é ele culpado ou não? É isso o que ele mais gostaria de saber!! A culpa, sim, é outra paixão que pode nos estragar a vida. Sobre ela, muito bem discorreu Dostoievski ao escrever “Crime e Castigo”. No livro, um jovem estudante acaba cometendo um assassinato e, por causa da culpa, torna-se incapaz de continuar sua vida: é o seu castigo.
Eis aí o que estes filmes nos trouxeram (pelo menos na minha análise): um pouco mais de conhecimento sobre nós mesmos, aliado à oportunidade de vermos nossa natureza, a humana, projetada na tela, em um espetáculo de luz, formas e som. Tudo isso (“e o céu também” – nome de um livro e de um filme) – tivemos a ocasião de discutir em nossas sessões do CCM, num ambiente agradável e de muitos amigos. Venha você também!
(por Tino Therezo)

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Frases cinematográficas 3

“Você está falando comigo? Está falando comigo?” (Robert de Niro para sua imagem no espelho, em Taxi Driver, 1976).

“Eu não tenho certeza de que ela seja capaz de qualquer sentimento verdadeiro. Ela é da geração televisão. Ela aprendeu sobre a vida com o Pernalonga” (William Holden sobre sua amante Faye Dunaway, em Rede de Intrigas, 1976).

“Foi a maior diversão que eu já tive sem rir” (Woody Allen depois da primeira vez com Diane Keaton, em Noivo Nervoso, Noiva Neurótica, 1977).

“Que a força esteja com você” (Alec Guiness, em Guerra nas Estrelas, 1977).

“Eu vou voltar” (Arnold Schwarzenegger, em o Exterminador do Futuro, 1984).

“Ei, Stella... Ei, Stella!” (Marlon Brando chama Kim Hunter, em Uma Rua Chamada Pecado, 1951. A chave da cena está na reação quase orgásmica de Hunter quando ouve a voz dele).

"Eu sempre dependi da bondade de estranhos” (Vivian Leigh aceita o braço de Richard Garrick, que a conduz para o hospício, em Uma Rua Chamada Pecado, 1951).

Referência: “Cinema Falado”, de Renzo Mora, Lemos Editorial, 1999.

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“O Curumim” – edição 3º. Bim.2011 – parte I

Notícias do Mundo do Cinema

Lançados em DVD:

a) “Um Caminho para Dois”, com Audrey Hepburn e Albert Finney. O diretor, Stanley Donen, é mais lembrado pela sua direção de “Cantando na Chuva”. Escrito pelo roteirista Frederic Raphael (o mesmo de “De Olhos Bem Fechados”), este drama conjugal é um de seus filmes mais refinados. O par em questão, Joanna (Audrey Hepburn) e Mark Wallace (Albert Finney) é um dos muitos casais insatisfeitos que rondam a Europa em busca de alternativas. Realizado em 1967, “Um Caminho para Dois”, pela sua modernidade, resistiu bem ao tempo. Fotografado em cinemascope e no sul da França, é lá que Albert Finney diz à mulher que gostaria de fotografar objetos de forma tridimensional, ao que Audrey responde: “Eu sou tridimensional, por falar nisso” (Estadão, DVD/TV, p.13, de 5 a 11/o6/2011).

b) “Alma em Suplício”, com Joan Crawford, sob direção de Michael Curtiz (1945). Por este filme, Crawford ganhou o Oscar de melhor atriz, fazendo o papel de Mildred Pierce. Casada com um homem que a abandona com as duas filhas, ela é obrigada a lutar pela sua sobrevivência, tropeçando nas próprias pernas à medida que tenta subir na vida a qualquer preço (O Estadão, D11, 29/05/2011).

c)“A Longa Noite de Loucuras”, de 1959, com roteiro de Pier Paolo Pasolini, é um filme que dialoga com “Um Dia de Enlouquecer” e “O Belo Antônio”. Os três filmes têm em comum a juventude dos personagens e a importância do dinheiro, pelo qual as prostitutas e os gigolôs tudo fazem. Em 1959, boa parte do interesse de “A Longa Noite” vinha do elenco, que reunia os novos talentos da Itália e da França: Elsa Martinelli, Antonella Lualdi e Laurent Terzieff (O Estadão, D3, 01/06/2011).

Aberta:

Mostra “Odete Lara, Atriz de Cinema”, que o CCBB apresentou a partir de 01 de junho, relembrando o trabalho desta mulher extraordinária, com participação em vários filmes entre 1956 e 1985, entre eles: “Noite vazia” (1964), de Walter Hugo Khouri, e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha. Paulistana da Bela Vista, nascida em 1929, Odete era uma deusa, que se expandia mesmo em pequenos papéis. Ela está inesquecível em “Boca de Ouro”, numa cena em que, num vestido de bolinhas, dá o testemunho de sua relação com o bicheiro (vivido por) Jece Valadão (O Estadão, D10, 31/05/2011).

Morre:

a) Peter Falk, aos 83 anos. Conhecido pelo seu papel na série “Columbo”, o ator faleceu em sua casa em Beverly Hills, com doença de Alzheimer, deixando mulher e duas filhas. Por seu trabalho na série policial, que estreou em 1971 e foi interrompida em 1978, Falk ganhou quatro prêmios Emmy. Nascido em Nova York e filho de um comerciante, o ator teve seu olho direito retirado aos três anos, por causa de um tumor, e substituído por uma prótese de vidro. Fez também “Deu a Louca no Mundo” (1963) e “A Corrida do Século” (1965); em “Columbo”, ele sempre dizia, quando já estava para sair da casa do investigado: “Just One More Thing” (Só mais uma coisa...) quando então o crime se esclarecia (O Estadão, A16, 25/06/2011).

b) Wilza Carla, aos 75 anos, morta em São Paulo, de diabete e problemas cardíacos. Sua filha, Paola, que há onze anos morava com Wilza para cuidar dela, disse que a mãe ainda sonhava voltar à televisão. Ela ficou famosa com a personagem “Dona Redonda”, da novela Saramandaia, da TV Globo, e também por seus papéis sensuais em chanchadas. Nascida em Niterói, em 19 de outubro de 1935, Wilza fez “Chico Viola Não Morreu” (1955), “Palmeiras Negras” (1967), “Os Monstros de Babalao” (1970) (O Estadão, D9, 22/06/2011).

Visitou:

o Brasil, em maio de 2011, Catherine Deneuve, a “bela da tarde” que o tempo respeitou, apesar dos anos. Ela, porém não é mais a loira delgada que cantava e dançava com a irmã, em “Duas Garotas Românticas”, de Jacques Demy. Mas ainda brilha no novo “Os Bem-Amados”, de Christophe Honoré, que encerrou o Festival de Cannes no domingo passado (o Estadão, D3, 29/05/2011). Tino Therezo

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Brincando de seduzir

Sabe quando você assiste um filme — de preferência, que não seja uma megaprodução — e, quando ele termina, bate uma saudade imensa do que acabou de ver? Como se quisesse que jamais terminasse. É disso que estou falando. Cada pessoa tem seus filmes preferidos, e Brincando de seduzir (Beautiful girls) é o meu, em posição de destaque na estante. Você terá que ir a uma boa locadora para encontrar essa comediazinha romântica dramática lançada em 1996. Aliás, uma locadora que ainda tenha VHS, pois ainda não saiu em DVD no Brasil. Vá, porque vale a pena. Brincando de seduzir tem um roteiro ultrassimples e batido. Conta a história de alguns amigos que se encontram no aniversário de formatura da turma, coisa típica de norte-americano. A grande sacada é que o filme não trata da festa, e sim dos “losers” em que se tornaram esses personagens.O início é de uma poesia cortante. Willie, o protagonista, interpretado magistralmente por Timothy Hutton, junta as gorjetas de sua noite como pianista. Despede-se do dono do bar e caminha entre o gelo e a neve do inverno em direção à rodoviária, a caminho de sua casa e de seu passado. Ele está em dúvida, repensando os passos, sua história. Apostou seus sonhos em algo que não conseguiu realizar. A volta para casa é, também, uma volta ao início de sua trajetória, uma análise de “onde eu errei?” e “o que faço agora?”.Tal retorno tem um quê de traumático, afinal só quem viveu em uma cidade pequena sabe: nada muda. Seus amigos, tão losers quanto ele, continuam os mesmos, para o bem e para o mal. Tommy (Matt Dillon) é um limpador de gelo e continua dividido entre duas garotas (Sharon e Daryan – respectivamente Mira Sorvino e Darian Smalls). Paul, em uma excelente interpretação de Michael Rapaport, continua um moleque com zilhões de pôsteres de mulheres nuas nas paredes do quarto. E Mo (Noah Emmerich) está casado. Todos eles beirando os 30 anos. Todos eles losers de carteirinha. Mas, o filme não é sobre homens. É sobre garotas, belas garotas (como sugere o título original). E como essas belas garotas influenciam a vida dos nossos pobres amigos. Willie volta para casa com uma dúvida cruel: casar ou não casar? Seis meses de namoro com uma advogada e lá está ele, na encruzilhada, sem nem sequer saber sobre si mesmo. Marty (Natalie Portman – perfeita no papel), como uma Lolita de Nabokov, ou uma Joey de Kevin Willianson, sempre com a palavra certa na hora certa, é uma bela garota. Uma bela garota de… 13 anos. Só os diálogos de Willie e Marty já valem o filme. Gina (Rosie O’Donnell) é outra suposta bela garota. Seu “solo” no supermercado explicando que homens sonham com modelos (irreais), mas casam com as normais (reais), consiste em outro grande momento. E Andera (Uma Thurman), bem, é publicitária e renova a improvável equação “garota bonita e inteligente”. Frases como “tudo que eu preciso é de um cara que me chame de docinho na hora de dormir” ou “tudo que eu preciso à noite é de um dry martini e Van Morrison” ficam ressoando na cabeça durante dias. A trilha sonora é excelente e centrada basicamente em standards americanos. Coisas como Me and Mrs. Jones, de Billy Paul, ou Sweet Caroline, de Neil Diamond, que rendem outros dos grandes momentos do filme. Traz também belas canções perdidas no tempo, como Graduation day, do cavaleiro solitário Chris Isaak, I’ll miss you, do Ween, e uma dobradinha sensacional dos Afghan Whigs, fazendo covers de duas canções — uma delas de Barry White —, com direito a ponta em um pub tocando Be for real, para embalar a dança de Andera e Paul. No geral, Brincando de seduzir é cinema sem pretensão, com o intuito único de mostrar as dificuldades da passagem tardia para a vida adulta. Consegue bem isso. Consegue divertir e fazer pensar. Afinal, onde eu errei? O que faço agora? Sedução é brincadeira? O que é real? O que você imagina ou imaginava estar fazendo aos 30 anos? Isso é cinema.

Direção: Ted Demme. 1996. 113 min.

Rodrigo Gerdulli (tradutor e revisor)

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Destaques da Programação de Agosto




Iniciando as apresentações do mês, teremos em 06/08/2011/ Sábado - O CONCERTO (Le concert) – Direção: Radu Mihaileanu . 120min. Essencialmente multicultural, a se levar em conta o conjunto de países que se uniram em 2009 para levar a cabo a obra: França, Itália, Romênia, Bélgica e Rússia. Nada menos que cinco países europeus participam dessa comédia dramática, que tem a descrevê-la termos elogiosos como: arrebatadora, sublime, delicada e sutil.
Atenção especial à trilha sonora envolvente, a ocupar papel de destaque.
http://youtu.be/zN8ZOm3LQ_g
O diretor Radu Mihaileanu é um jovem cineasta judeu-romeno radicado na França, que também dirigiu Trem da Vida (1998) e Um Herói do Nosso Tempo (2005), entre outros. Interessante notar que este filme tem classificação Livre para todas as idades, fato não muito comum no nosso Clube. O Concerto aborda de forma delicada a temática do "doce sabor da vingança". .........

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Em 13/08/2011/ Sábado, a mais recente versão de O RETRATO DE DORIAN GRAY (A Picture of Dorian Gray) – Direção: Oliver Parker. Elenco: Colin Firth, Ben Barnes, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Emilia Fox, Ben Chaplin.
O retratro de Dorian Gray é a obra-prima do escritor irlandês Oscar Wilde. Segundo Rubens Oswald Filho constam dezesseis versões filmadas de Dorian Gray, sendo a primeira de 1910. Esta versão norte-americana é de 2009. Vai ser interessante assistir e compará-la com outras anteriores.
http://youtu.be/POVOhqDik8U
Recordando um pouquinho: nosso heroi faz um pacto com o “torto”, e como resultado, a cada maldade praticada, sua figura - no retrato - vai se tornando cada vez mais horripilante, enquanto como por milagre, o heroi de carne e osso permanece sempre jovem e bonito.
No livro original de Oscar Wilde, um jovem londrino que possui beleza juvenil eterna passa a ter sua feiúra interior exposta para todos quando se torna modelo para um pintor chamado Basil Hallward. A partir daí, Dorian Gray passa a enxergar sua própria miséria e ter sua vida devastada pela vaidade. O retrato de Dorian Gray é, além de uma crítica à cultura vitoriana, um estudo sobre a alma humana. Entretanto, causou mais polêmica por abordar os temas do erotismo e da homossexualidade. Colin Firth, nosso conhecido e recente vencedor do Oscar de melhor ator por O Discurso do Rei (passou no Clube em 16/jul/2011) assume o papel do nobre imoral, amigo e conselheiro de Dorian. Com sua interpretação ainda fresquinha em nossa memória (em O Discurso), vai ser interessante podermos vê-lo e constatar sua versatilidade em novo papel bem diferente. .........
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20/08/2011: Sábado CISNE NEGRO (Black swan) – Direção: Darren Aronofsky. EUA 2010 Drama 108min. Este filme tem belo comentário no nosso Informativo O Curumim, edição 2º. Bimestre/2011, escrito pelo dr. Altino Therezo, presidente do Clube, sob o título “O Cisne, o Negro e o Branco”. Começa assim: “Impressiona pela magia e beleza o filme O Cisne Negro, merecidamente ganhador de Oscars e contagiante pelo seu enredo. A história retrata o esforço que faz uma bailarina norte-americana para ser bem sucedida em sua carreira.....” Natalie Portman recebeu o Oscar de melhor atriz por este trabalho.
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Em 21/08/2011: Domingo O VENCEDOR (The fighter) - Direção: David Russell. Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Mickey O’Keefe, Jack McGee. http://youtu.be/Wbc_aeLZjCM
Neste O Vencedor, o lutador de boxe vivido por Mark Whalberg encontra-se em situação contraditória, pois se por um lado depende da própria família, por outro lado é sufocado por ela. Uma gente tosca e grosseira que lembra a parentalha de Nino Manfredi daquela favela romana em “Feios, Sujos e Malvados” (1976) de Ettore Scola, só que desenhados com cores fortes, sem qualquer elemento humorístico.
Baseado numa história real, ganharam o Oscar: Melissa Leo, a mãe obsessiva e Christian Bale – de “Batman Begins”/2005, que faz o irmão viciado, treinador do boxeador. Favoritos ao Oscar de melhores coadjuvantes, ambos confirmaram as indicações. Vale a pena ver matéria completa em:
http://programacinemafalado.blogspot.com/2011/02/em-o-vencedor-de-david-russell-uma.html
(posted elisilvéria)

Programação agosto-2011

CLUBE DE CINEMA DE MARÍLIA
Sala “Emílio Pedutti Filho”
Av. Sampaio Vidal, 245 / Sessões: sábados e domingos às 20h15 /
CONTRIBUIÇÃO para não associados: R$ 2,00
E-mail: ccmclubedecinema1952@hotmail.com
BLOG: www.ccm-clubedecinema.blogspot.com

PROGRAMAÇÃO – AGOSTO/2011

Apresentamos nossa programação para o mês de Agosto. Assim que possível, iremos postar alguns comentários sobre ela.

06/08/2011: Sábado O CONCERTO (Le concert) – Direção: Radu Mihaileanu. Elenco:
Aleksey Guskov, Dmitri Nazarov, Mélanie Laurent, François Berléand, Miou-Miou, Valeriy Barinov. França/ Itália/ Romênia/Bélgica/Rússia 2009 Drama 120min. Sinopse Andrei Filipov era o maestro da orquestra Bolshoi, renomado e respeitado, mas perdeu o posto depois de recusar separar-se de seus músicos, todos de origem judaica. Anos após a demissão, Andrei continua na Bolshoi, mas não à frente da orquestra. Agora, ele é encarregado da limpeza. Em uma das noites de trabalho, limpando a sala do chefe polonês, Andrei recebe um fax, convidando a orquestra Bolshoi para tocar no Teatro du Châtelet, em Paris. A partir de então, ele tem uma ideia com ares de vingança: chamar todos os amigos que tocavam com ele à época em que era maestro e ir a Paris para uma apresentação.


07/08/2011: Domingo O RETORNO DE TAMARA (Tamara Drewe) – Direção: Stephen Frears. Elenco: Gemma Arterton, Roger Allam, Bill Camp, Dominic Cooper, Luke Evans. Reino Unido 2010 Comédia 111min. Sinopse Quando saiu da pequenina Ewedown, Tamara Drewe era feia. Anos depois, ela volta, agora como consagrada e bela jornalista para vender a casa de sua mãe. No retorno, Tamara desperta a paixão adormecida de Andy e Nicholas. Tamara não liga, pois tem um novo homem em sua vida: Ben, um estranho baterista que com quem ela decidiu se casar.


13/08/2011: Sábado O RETRATO DE DORIAN GRAY (A Picture of Dorian Gray) – Direção: Oliver Parker. Elenco: Colin Firth, Bem Barnes, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Emilia Fox, Bem Chaplin. EUA 2009 Drama 110min. Sinopse A história de um jovem que consegue aprisionar sua alma em uma pintura, assim nunca envelhecendo. Os anos passam, e Dorian Gray continua jovem, enquanto a sua pintura envelhece, mostrando o verdadeiro interior do rapaz. Ele fará de tudo para proteger seu segredo.


14/08/2011: Domingo A VIDA DURANTE A GUERRA (Life during wartime) – Direção: Todd Solondz. Elenco: Shirley Henderson, Michael K. Williams, Roslyn Ruff, Allison Janney, Michael Lerner, Ciarán Hinds. EUA 2009 Drama 98min. Sinopse Trish e seus filhos estão prestes a mudar para uma vida melhor. Ela está de casamento marcado e a família poderá deixar para trás o fantasma de Bill, seu ex-marido, preso por pedofilia. Mas nem tudo acontece como esperado. Bill é solto e Trish e as crianças terão que lidar com o passado. Enquanto isso, sua irmã Joy também é assombrada por antigos relacionamentos. Após o divórcio ela abandona seu emprego e parte em busca de uma vida mais simples tentando superar seus traumas e encontrar a felicidade. Revelando que de perto nenhuma família é perfeita, A Vida Durante A Guerra é um filme ousado com rumos inesperados.


20/08/2011: Sábado CISNE NEGRO (Black swan) – Direção: Darren Aronofsky. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied. EUA 2010 Drama 108min. Sinopse Apoiada pela mãe, uma bailarina aposentada, Nina se dedica totalmente à companhia de dança de balé da qual faz parte. A grande oportunidade desta jovem surge quando o diretor artístico Thomas Leroy procura por uma dançarina para protagonizar O Lago dos Cisnes. Lily tem toda a aptidão para a sensualidade do Cisne Negro, enquanto Nina se mostra ideal para viver o Cisne Branco, inocente e gracioso. Nesta disputa, Nina passa a conhecer melhor o seu lado sombrio, e este autoconhecimento pode ser destrutivo.


21/08/2011: Domingo O VENCEDOR (The fighter) - Direção: David Russell. Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Mickey O’Keefe, Jack McGee. EUA 2010 Drama 115min. Sinopse Dicky Ecklund é uma lenda do boxe que desperdiçou o seu talento e a sua grande chance. Agora, o seu meio-irmão Micky Ward tentará se tornar uma nova esperança de campeão e superar as conquistas de Dicky. É a cinebiografia do boxeador Mickey "Irish" Ward, um dos maiores nomes do esporte nos anos 80.


27/08/2011: Sábado NÃO MINHA FILHA, VOCÊ NÃO IRÁ DANÇAR (Non ma fille, tu n'iras pas danser) - Direção: Christophe Honoré. Elenco: Chiara Mastroianni, Marina Foïs, Marie-Christine Barrault, Jean-Marc Barr, Fred Ulysse, Louis Garrel. França 2009 Drama 105min. Sinopse Após a separação de Nigel, Lena tenta seguir a vida com seus dois filhos, Anton e Augustine. Deixa Paris e segue para a Bretanha, interior da França. Ao chegar à casa de sua infância, reencontra os pais, a irmã casada e acompanhada dos filhos, e o irmão irônico Gulven. Sua mãe, uma mulher autoritária, convida Nigel, ex-marido de Lena, na tentativa de reconciliar o casal. Lena, que foi para o campo tentar reconstruir sua vida, terá agora que lidar e enfrentar o controle de sua família.


28/08/2011: Domingo GREY GARDENS – DO LUXO À DECADÊNCIA (Grey Gardens) – Direção: Michael Sucsy. Elenco: Drew Barrymore, Jessica Lange, Jeanne Tripplehorn, Ken Howard, Kenneth Welsh, Arye Gross. EUA 2009 Drama 104min. Sinopse Trinta e cinco anos do famoso documentário dos irmãos Maysles - Grey Gardens do Luxo à Decadência (vencedor do Emmy) - oferece uma visão única, por trás dos bastidores, de "Big Edie" e de "Little Edie" Bouvier Beale, duas famosas excêntricas que eram parentes de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis e moradoras de uma decadente mansão em Hamptons. Jessica Lange e Drew Barrymore estrelam esta produção como as reclusas mãe e filha, cujos gastos pouco convencionais e rebelião social transcenderam a opinião pública e forjaram um laço único e inquebrável. O filme dirigido por Michael Sucsy registra quatro décadas das vidas delas a partir do roteiro escrito por Sucsy e Patricia Rosema, enfocado em suas glamourosas e endinheiradas vidas, bem antes da realização do documentário, e nas circunstâncias que as levaram à decadência./


Agradecimentos: À Bimatos Videolocadora (3422-5766) e Canal 10 Videolocadora (3454-9038) eli.
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Flor do Deserto // (Desert flower), passou no CCM

Belo filme, carregado de delicadeza e sensibilidade. Através dele ficamos sabendo que, na África, todos os nomes (de pessoas) têm um significado. WARIS – nome da nossa protagonista, quer dizer “Flor do Deserto”.

A história também ajuda a desnudar aspectos da cultura africana (ao menos um pouquinho) – trazendo à luz esse continente tão imenso quanto desconhecido por nós. Que geralmente é referido como sendo um país único, quando na verdade são mais de cinquenta países.

O filme põe por terra a idéia vulgar de que pessoas muito bonitas não sofrem. Elas seriam como que bafejadas por um sopro de proteção divina contra as intempéries e a maldade humana. Opondo-se ao pensamento único, “nossa heroína carrega o deserto nos ombros”. Como ela mesma diz, praticamente o atravessou a pé até chegar a Mogadício. Depois, já adulta e gozando prestígio como top model internacional, numa entrevista que deu à Revista Marie Claire declarou ao mundo todo a sevícia sofrida aos cinco anos de idade, ainda em território africano.

A nós ocidentais fica difícil avaliar friamente o significado profundo de tal “operação”, que no entanto é parte intrínseca da cultura milenar, num lugar onde a mulher, às vezes, vale menos que uma vaca.Tradição de antes de Cristo, a cincuncisão feminina é extremamente violenta, invasiva, dolorosa e cruel, frequentemente colocando em risco a saúde e provocando a morte de muitas meninas.

Já adulta e famosa, quando perguntada sobre o “Dia que Mudou Sua Vida”, Waris referiu-se ao dia desse “sacrifício” como sendo o mais marcante de todos. Para mim, mera expectadora do filme, o dia mais importante de sua vida, foi quando ela descobriu que uma mulher pode manifestar sua sensualidade e curtir os prazeres do sexo, sem sentir-se culpada, ou deixar de ser uma pessoa honrada. Foi quando ela assumiu seu lado de humanidade plena, libertando-se das amarras da ignorância e do preconceito, disposta a lutar contra a invariabilidade da condição do ser mulher. As conquistas de Waris foram tamanhas, que ela hoje é embaixadora da ONU na luta contra a mutilação genital feminina. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Atualmente a OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que três milhões de meninas passem por isso a cada ano. “As coisas estão melhorando, mas não é o suficiente. O que me deixa doente é que os políticos do mundo não levam a questão a sério porque, no fim das contas, é um ‘problema de mulher’, algo relacionado à vagina. Muitos argumentam dizendo que ‘isso é religião’ ou ‘é a cultura dos outros’, quando na verdade é um crime. Especialmente quando ocorre com garotas pequenas que não podem se defender”,.... Leia em : http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI121912-17637,00-O+BRASIL+NAO+TEM+IDEIA+DO+QUE+E+A+MUTILACAO+FEMININA+DIZ+EX+MODELO+WARIS+DI.html - Revista Marie Claire –

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WARIS DIRIE Não é Naomi Campbel

O filme “Flor do Deserto” é daqueles que nos instigam a querer ler o livro para saber mais. Por esse motivo, dirigi-me até à Biblioteca Pública, na esperança de encontrar o romance original em que se baseou. Antes de mim, outras pessoas haviam tido a mesma inspiração, daí percebi que muitos brasileiros continuam achando que todo preto é igual. Ou seja: alguns viram o filme e continuam - erroneamente - pensando que acabaram de assistir à história de Naomi Campbel. Ambas são modelos, mas as semelhanças param por aí.


Naomi é inglesa, nascida em Londres, notabilizando-se pelos arroubos, agressões aos colaboradores e pelo genio explosivo. Sua característica principal é o cabelão escorrido, herança dos avós de origem oriental.





Waris Dirie é africana nascida na Somália, um dos países mais pobres do mundo.Ao contrário da outra, ela é “do bem”, tendo se destacado na luta contra a mutilação genital feminina ainda hoje praticada amplamente nos países muçulmanos africanos, no mundo árabe, além de comunidades de imigrantes espalhadas pela Europa e EUA. Em reconhecimento a sua coragem e persistência, foi designada embaixadora da boa vontade da ONU. Embaixadores da ONU costumam ser pessoas escolhidas a dedo pelo caráter exemplar e modelos positivos na sociedade onde atuam.

http://youtu.be/XsZ3dshX7Uw Esse VÍDEO é um TRIBUTO a WARIS e mostra toda sua categoria e beleza. Infelizmente, por alguma falha técnica, não consegui postá-lo como janela.

A lista de celebridades ligadas à ONU, é extensa. Alguns nomes conhecidos por nós: Michael Douglas, Angelina Jolie, Brad Pitt, George Clooney, Nicole Kidman, Shakira e Antonio Banderas; e os brasileiros: Renato Aragão e Ronaldo (Fenômeno).

Essa aí embaixo é Waris Dirie numa pose clássica.

O que havia nas cestas mesmo?

Além de flores e trofeus, as professoras nossas parceiras no Concurso de Redação do Clube, também receberam uma cesta recheada de livros e outros mimos, no dia da premiação.

Mesmo com certo atraso, queremos divulgar os títulos que compuseram as “Cestas” entregues a elas. Embora não sejam didáticos, tenho certeza que são obras interessantes, constituindo rico e variado recurso, com gêneros que vão da biografia de grandes vultos à auto-ajuda, passando por alguns mais específicos sobre Cinema, além de alguns filmes bem ao estilo hollywoodiano. Tem também o livro de memórias da minha querida mamãe: (Será que fui eu?)

Diversão e prazer garantidos nas férias de julho, com bons livros, DVDs e até mesmo um audio livro em MP3. Agora, é socializar com familiares, amigos e alunos.

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Livros, etc., referentes ao Concurso de Redação CCM-Redacine:

  1. NÃO FAÇA TEMPESTADE EM COPO D’AGUA- a. Richard Carlson, Phd – Rocco – Auto-ajuda
  1. CAPÃO PECADO – a.Ferréz – Labortexto Ed.


  1. GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE – livo + DVD Com Elizabeth Taylor e Paul Newman – coleção Folha Clássicos do cinema.
  1. OS FILMES DE MINHA VIDA – Um romance – a. Alberto Fuguet – Agir Ed.
  1. BRASIL: Sua Gente e Sua Cultura – a. Dilma de Melo Silva (org.) – Terceira Margem
  1. SERÁ QUE FUI EU? - Alzira Silvéria; ed Scortecci
  1. MAHATMA GANDHI – Bib.Época – coleção: Personagens q. marcaram Época – Ed.Globo
  1. MICHAEL JACKSON – MOONWALKER – Dvd – filme Doc.


  1. QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO (Para Jovens)- a.Spencer Johnson, Md. – Record

  1. CAPÃO PECADO – a. Ferréz – ed. Objetiva (2005)
  1. O VENDEDOR DE QUEIJOS E OUTRAS CRÔNICAS – a.Alexandre Azevedo – Atual ed.
  1. UM AMOR PARA TODA A VIDA – DVD/filme, romance; com Shirley Mac Laine e Christopher Plummer
  1. CRÔNICAS EM CURTA METRAGEM – A 7ª. Arte na Visão de um Amador – a. Gil de Assis Soares – ed. Ophicina de Arte e Prosa – (2004)

  1. O CAÇADOR DE PIPAS – Khaled Hosseini, MP3 - Audiolivro ed.


15. ANITA GARIBALDI-a Vida de uma Heroína – Celso Martins; ed.Anita Garibaldi

  1. AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD – com Errol Flyn e Olívia de Havilland – livro + DVD, col. Folha Clássicos do Cinema

  1. VIVA MELHOR COM O ADOLESCENTE – a.Sylvie Angel – org. e CláudioPicazio – ed. Larousse; (orientação aos pais)

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