CINEMA DE ARTE versus BOM CINEMA COMERCIAL, aí está a questão


Em agradecimento ao carinho e interesse do prof. CONFORTI, solicitei ao mesmo permissão para postar aqui seu questionamento, em forma de “breve comentário”, sobre o mais recente Campeão de Bilheteria da cinematografia nacional. Embora este não seja um espaço específico de debates, a pergunta reflete uma inquietação legítima, que deve permear as mentes de outros associados. Então aí vai...
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"Cara Elionora, amigos cecemistas:

Novamente, retorno.
O CCM tem alguma posição crítica contra o José Padilha (by "Tropa de Elite")?
Eu, pessoalmente acho que ele tem razão na polêmica “cinema-de-arte e cinema-comercial-bem-produzido”, em ser a favor do segundo. Perdemos muitas boas ideias pelo fato de nossos diretores serem engajados. Padilha quer fazer cinema de boa qualidade e ganhar dinheiro. Nos dias de hoje, creio ser o caminho. As gerações 60's e 70's (esta, a minha) ficaram datadas nessa área.
Indústria cinematográfica? Não creio que cheguemos a isso. Perda da arte? Depois da Bienal deste ano (do mau gosto escatológico) reformulemos a pergunta: o que é Arte?
Sempre gostei de Mazzaropi, mas ao me tornar "teen" eu entrava escondido no cinema para ver seus filmes. Seu cinema, além de ser excelente, era popular (não os três ou quatro últimos filmes dele). Rendeu-lhe dinheiro também.
Reflitamos...

Abraços cinéfilos,
M. Conforti"

Nessa data, Querido CLUBE

HOJE é 12 de outubro, feriado das crianças e de Nsa.Sra.Aparecida. Uma data especial na história do Clube de Cinema de Marília. Há exatos 58 anos, em 1952, algumas pessoas tiveram a iniciativa de criar uma entidade que valorizasse o Cinema enquanto Arte, Cultura, Criação.
Nasceu pequeno; atingiu o apogeu entre as décadas 1960 e 1980, quando instituiu o FESTIVAL DE CINEMA, o ENCONTRO DE CINECLUBES e o PRÊMIO CURUMIM. Atualmente a entidade passa por uma reformulação no quadro, enquanto promove melhorias no espaço físico: as paredes foram pintadas, a estante de madeira (altíssima) foi reformada e ganhou por fundo uma parede vermelha – retomando a cor original –; as cortinas novas estão sendo acabadas. Agora, só falta providenciar estantes que organizem o rico material ainda disperso.
Nesse dia 12 de outubro de 2010, só temos que agradecer às pessoas e entidades que prestigiam e contribuem com as atividades do Clube, por acreditar em ir além, apesar das dificuldades que surgem. Parabéns Cineclubistas !

(elisilvéria
12.10.2010)

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Carnaval Atlântida/enxurrada de alegria



Os filmes brasileiros de antigamente possuíam um quê de Magia e Encantamento.


Gênero: comédia
Direção: José Carlos Burle
Roteiro: Vitor Lima, Berliet Júnior
Produção: Décio Alves Tinoco
Música original: Lírio Panicalli
Coreografia: Juliana Yanakiewa
Fotografia: Amleto Daissé
Edição: José Carlos Burle, Waldemar Noya
Direção de arte: Pablo Olivo
Figurino: Gilda Bastos, Osvaldo Mota
Maquiagem: Paulo Carias
Efeitos sonoros: Aloísio Viana, Jesus Narvaes, Antonio Gomes, Ercole Baschera
País: Brasil

Elenco:
Oscarito ............. Prof. Xenofontes
Grande Otelo.......... Empregado do Estúdio
José Lewgoy .......... Conde Verdura
Eliana Macedo......... Regina
Renato Restier........ Cecílio B. de Milho
Cyll Farney........... Augusto
Cuquita Carballo...... Fifi
Colé.................. Pedro
Maria Antonieta Pons.. Lolita
Iracema Vitória....... Aurélia
Wilson Grey........... Amestrador de pulgas
Dick Farney
Blecaute
Nora Ney
Francisco Carlos

Um claro exemplo dessa delicadeza está presente neste CARNAVAL ATLÃNTIDA, Br. 1952, um típico exemplar das chanchadas musicais. Malícia ingênua, na dose certa de se assistir com toda a família, nem mais, nem menos.



O enredo também é simples: Oscarito é o prof. Xenofontes, compenetrado professor de mitologia grega contratado por Cecílio B. de Milho (Renato Restier) como consultor da adaptação do clássico Helena de Tróia para o cinema. Dois empregados do estúdio, que trabalham como faxineiros, sonham em transformar o épico grego numa comédia carnavalesca. Carnaval Atlântida é uma paródia exemplar do gênero “chanchada”, visto como opção viável às superproduções de fora.

Uma rápida lida no enredo é suficiente para nos fazer prever as confusões e trapalhadas que virão, sempre recheadas de grandes números musicais. Esse Carnaval Atlântida joga com elementos do popular e do erudito em situações deliciosas que nos levam a conhecer um Brasil de outra era, em ritmo mais cadenciado, mas também permite um mergulho nas raízes de nossa cultura, presente tanto no enredo quanto nas canções. Uma pena que o gênero chanchada tenha se acabado.
Tido como um Gênero Menor em face da cinematografia “séria”, a chanchada hoje é tema de inúmeros debates e trabalhos acadêmicos, pois guarda um repositório de elementos simbólicos, essenciais para se saber o Brasil daquele momento. Críticas à parte, nenhum outro gênero cinematográfico foi tão popular no Brasil, sendo os fatores que permitiam a crítica justamente os que mais agradavam a plateia...
José Lewgoy era muito novinho, bem como Oscarito. A presença de Grande Otelo é garantia de boa atuação e muita gargalhada. Outros nomes que admiro são: Eliana Macedo, Dick Farney, Colé, Nora Nei e Blecaute. Merece destaque a relação de 26 números musicais, (alguns clássicos da Música Brasileira), interpretados por grandes artistas:


"No tabuleiro da baiana" (Ari Barroso), com Grande Otelo e Eliana Macedo
"Acho-te uma graça" (Benedito Lacerda, Haroldo Lobo e Carvalhinho)
"Agora é cinza" (Alcebíades Maia Barcelos e Armando Vieira Marçal)
"Ai que saudade da Amélia" (Ataulfo Alves e Mário Lago)
"É bom parar" (Rubens Soares)
"Rasguei a minha fantasia" (Lamartine Babo)
"Serpentina" (Haroldo Lobo e David Nasser)
"O teu cabelo não nega" (João Valença e Raul Valença)
"Ninguém me ama" (Fernando Lobo e Antônio Maria) com Nora Ney
"Um domingo no jardim de Allah" (Lírio Panicalli e Ewaldo Ruy)
"Marcha do conselho" (Paquito e Romeu Gentil) com Bill Farr
"Valsa da formatura" (Lírio Panicalli e Claribalte Passos), com a orquestra de Chiquinho
"Dona Cegonha" (Armando Cavalcanti e Klecius Caldas) com Blecaute e Maria Antonieta Pons
"Quem dá aos pobres" (Klecius Caldas e Armando Cavalcanti) com Francisco Carlos
"Máscara da face" (Armando Cavalcanti e Klecius Caldas)
"Pastorinhas" (Noel Rosa e João de Barro)
"Pirata" (João de Barro e Alberto Ribeiro)
"Se a lua contasse" (Custódio Mesquita)
"Um pierrot apaixonado" (Heitor dos Prazeres e Noel Rosa)
"Praça 11" (Herivelto Martins e Grande Otelo)
"Marcha do sapinho" (Humberto Teixeira e Norte Victor), com Oscarito e Maria Antonieta Pons
"Mambo caçula" (Benicio Macedo e Bené Alexandre), com Maria Antonieta Pons e Oscarito
"Cachaça" (Mirabeau Pinheiro, Lúcio Castro e Heber Lobato) com Grande Otelo e Colé Santana
"Baião" (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga)
"Alguém como tu" (José Maria de Abreu e Jair Amorim), com Dick Farney
"Queria ser patroa" (M.Pinto e Airão), com Eliana Macedo
(elisilvéria-out2010)

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Amelia...... sinônimo fascínio

No início do século 20 as mulheres ainda não tinham conquistado grandes avanços quanto aos direitos que possuem hoje. Assim, as atitudes de Amélia Earhart causavam estranheza e fascinação.......



Neste longa Hilary Swank interpreta a aviadora Amelia Earhart, símbolo da liberdade americana, que tem como parceiro George Putnam (Richard Gere), seu editor e amante, com quem mantém um relacionamento tempestuoso, movido pela ambição, admiração mútua e por um grande amor, cujo vínculo não consegue ser quebrado nem mesmo por um breve romance entre Amelia e Gene Vidal (Ewan McGregor). Elenco:
Hilary Swank … Amelia Earhart
Richard Gere … George Putnam
Ewan McGregor … Gene Vidal
Christopher Eccleston … Fred Noonan
Joe Anderson … Bill
Cherry Jones … Eleanor Roosevelt
Mia Wasikowska … Elinor Smith
Aaron Abrams … Slim Gordon
Dylan Roberts … Leo Bellarts
Ryann Shane … Amelia
Ficha técnica:
título original: Amelia
gênero: Drama cinebiográfico
lançamento: 2009 (Canadá)/(EUA)
direção: Mira Nair
· site oficial:http://www.ameliafilme.com.br
· distribuidora: Fox Searchlight Pictures
· roteiro:Anna Hamilton Phelan e Ronald Bass, baseado no livro "East to the Dawn: The Life of Amelia Earhart", de Susan Butler, e "The Sound of Wings: The Life of Amelia Earhart", de Mary S. Lovell

Continuando as rápidas observações sobre a presença feminina em obras (ficcionais e de não ficção), chegamos à pioneira Amelia Earhart, mulher nascida nos Estados Unidos no séc.XIX, que em 1937 ousou impor sua genialidade no livro das viagens e conquistas aéreas. Nasceu no Kansas (EUA) em 1897, foi heroina em seu país, onde recebeu diversos prêmios por seus feitos aéreos. Conquistou "The Distinguished Flying Cross", por ter sido a primeira mulher a voar sobre o Oceano Atlântico sozinha.
Aqui é importante pincelar alguns acontecimentos, fatos reais da história do Brasil, para tentar contextualizar o tamanho dos feitos dessa audaciosa Amelia (bem diferente daquela da canção, a que era “mulher de verdade”) - Samba de 1941, de Mário Lago e Ataulfo Alves, “AI QUE SAUDADES DA AMÉLIA” .
1937 é o ano de nascimento do grande violonista Baden Powell; ano de fundação da UNE –União Nacional dos Estudantes; dá-se o “caso” dos Irmãos Naves, então chamado “o maior erro judiciário do Brasil”. Outros fatos interessantes:
ano do golpe de Estado e início do governo Getúlio Vargas/Estado Novo.
· Criado o Museu Nacional de Belas Artes no Rio.
· É criado, também no Rio, o Centro de Cultura Afro-Brasileira.
· Jorge Amado publica Capitães de areia, sobre o cotidiano de menores abandonados de Salvador.
· Estréia O Rei da Vela, peça de Oswald de Andrade.
· Entra no ar a rádio Tupi, em São Paulo.
· Morre, aos 26 anos, NOEL ROSA, deixando 259 composições
· Orlando Silva grava Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro.
· No cinema estréia Descobrimento do Brasil, de Humberto Mauro.
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Coisas do filme: A moda usada pelas mulheres no período inter guerras mundiais (1918/1939) – pelo menos aquela mostrada no filme, é extremamente reta, sóbria, sem muito frufru. A postura da protagonista, por sua vez, faz acentuar essas características, com seu corte de cabelo invariavelmente “Joãozinho”, de rapaz, preferência pelo uso de calças compridas em vez de saias ou vestidos, sem falar na profissão -tipicamente masculina- abraçada por ela. Em realidade, a ‘Amelia’ construída pela atriz HILARY SWANK quase não tem traços de feminilidade, o que não quer dizer que teria deixado de viver grandes amores. Além da primazia na busca pela conquista de records na incipiente aviação, ela foi também pioneira na veiculação de propaganda e venda de produtos comerciais, atividade que fazia como forma de bancar os (altos) custos de sua carreira. No filme, aparece vendendo de tudo. Surgiam inúmeras carreiras ligadas à televisão e a função de garota propaganda - uma 'carinha bonita' que diante das câmeras exibia as novidades da indústria de bens de consumo -, era uma delas. A fama que Amelia Earhart alcançou foi tamanha, que ninguém parecia notar a contradição expressa ali: a mulher que pilotava aviões (1º. Vôo solo; 1ª. travessia do Atlântico...), muito provavelmente não tinha tempo para dedicar-se a ser uma boa dona de casa, sendo essa, afinal, a imagem que incentivava e vendia. De fato, a presença de Amelia Earhart na TV atenderia a dois papeis diversos, senão antagônicos: a) por um lado o reforço positivo do tradicional papel social de dona de casa; b) o que por outro lado, era uma maneira efetiva de conseguir recursos para fazer aquilo que mais amava: voar.
Amélia Earhart faleceu provavelmente em 1937. Seu avião e seu corpo jamais foram encontrados. Nessa produção temos um bom filme, daqueles que nos fazem querer saber mais a respeito dos personagens. Gosto de pensar que ela não morreu de fato; seu espírito inabalável continua repercutindo sonhos, ternura e aventuras, nas mulheres de garra que sonham atingir a realização através do conhecimento próprio e de ações pioneiras.
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Sinopse: Amelia Earhart (Hilary Swank) foi a primeira mulher a completar a travessia do Oceano Atlântico pilotando um avião. Este feito fez com que se tornasse uma celebridade nos Estados Unidos, onde passou a ser chamada de "deusa da luz" devido a sua ousadia e carisma. Seu fascínio pelo perigo inspirou até mesmo a primeira dama Eleanor Roosevelt (Cherry Jones). Casada com George Putnam (Richard Gere), um magnata do mercado editorial, e tendo o piloto Gene Vidal (Ewan McGregor) como seu grande amigo, Amelia decide, em 1937, embarcar na mais arrojada de suas missões: dar a volta ao mundo em um voo solo. Em 1937, partiu em viagem para realizar uma volta ao globo, porém algo deu errado enquanto Amelia sobrevoava a Ilha Howland e a aviadora desapareceu, sendo dada como morta em 1939.
Hilary Swank é vencedora de dois Oscars como Melhor Atriz: 2005 = Menina de Ouro/ Million dollar baby; e 2000 =Meninos Não Choram/Boys don’t Cry.
(elisilveria)

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Uma grande perda

Aos membros do CCM e amantes do cinema, uma grande perda

Saiu no jornal "O Estado de São Paulo" nota sobre o falecimento de Emilio Pedutti Filho, dia 21 deste mês (setembro/2010), em Botucatu, aos 78 anos de idade. Além de ter uma rede de cinemas levando cultura por todo o interior do Estado, o Sr Pedutti sempre colaborou com o CCM, deixando, já no projeto do antigo Cine Pedutti, na Rua 4 de Abril, salas superiores destinadas ao nosso cineclube. Foi lá que funcionou durante muito tempo o CCM, sob a direção de Benedito André e Roberto Cimino. Como parte das comemorações pelo aniversário do nosso Clube, vamos recolocar, na sala de projeção, a placa que dava nome a ela: "Sala Emílio Pedutti Filho". Para isso contactamos a família Pedutti em Botucatu para que mande um representante, que teremos muita honra em receber e homenagear.
Abraços
Dr. Altino Therezo

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Sr. Pedutti foi um homem de bem. Era empresário (foi dono da Empresa Teatral Peduti, atuante no segmento cinematográfico na época áurea do cinema, com salas de exibição em todo o interior de SP, MT e MS). Era agropecuarista. Foi vice-presidente do BANESPA - Banco do Estado de São Paulo, na década de 70, por duas gestões. Emílio Pedutti Filho foi ex-dirigente da Associação Paulista de Municípios, pré candidato a vice-governador, ao lado de Laudo Natel, no final dos anos 1960, porém desistiu antes de registrar a candidatura. Naquela época eram os deputados estaduais que elegiam os governadores. A representação política era limitada a apenas dois partidos permitidos pelos governantes militares: MDB - Movimento Democrático Brasileiro, de oposição e Arena - Aliança Renovadora Nacional, governista. Os deputados votavam e o governo central entronava no período de regência.
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Empreendedor, nos anos 1970 e 1980, quando as indústrias dos clãs familiares italianos e outras começaram a sentir o peso da inflação, logrou, usando o prestígio conquistado junto ao Banespa, atrair a Botucatu indústrias como a Staroup, a fábrica de ônibus Caio, a extinta Usina Costa Pinto que fazia produtos da marca Peixe, entre outras.

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A história de Martinópolis exemplifica os fatos ocorridos em outras cidades com relação à história do cinema. Naquela localidade o primeiro cinema nasceu em fins da década de 30 com 380 lugares. Em 1958 a Empresa Teatral Pedutti, do dr. Emílio arrendou este cinema, nele realizando uma série de melhorias nas poltronas, no som e com instalação de tela cinemascope. Daí o cinema passou a chamar-se Cine São Benedito e durou até maio de 1978. No local, os frequentadores costumavam assistir comédias e aventuras. Os ídolos da época eram José Vasconcelos, Mazzaropi, Teixeirinha e Meire Terezinha, Grande Otelo, os astros da Jovem Guarda por causa de seus filmes, e, por último, nos anos 70, a pornochanchada, cujas estrelas eram Vera Fischer, Aldine Müller, Marlene França, Adriana Prieto, Darlene Glória, Sandra Barsotti, Dercy Gonçalves, e entre os galãs, David Cardoso e John Herbert. www.camarapprudente.sp.gov.br/historia/hist_oeste/cidades/martinopolis/lazer.html

Era uma pessoa simples, de fácil trato, respeitado por todos, inclusive adversários políticos que ganhou quando disputou eleições para prefeito, em 1988, saindo do pleito com 20% dos votos. Vide: doentrelinhas.blogspot.com
Morava em uma de suas fazendas em Botucatu. A cidade decretou luto oficial de três dias pelo falecimento. A cultura lhe será eternamente grata.
(elisilvéria)

BAGDAD CAFE - Um toque de magia e o improvável acontece




Bagdad Café = filme de 1987, dirigido por Percy Adlon; coprodução : Alemanha Ocidental/EUA. Elenco:
• Marianne Sägebrecht — Jasmin
• CCH Pounder — Brenda
• Jack Palance — Rudi Coxx
• Christine Kaufmann — Debby
• Monica Calhoun — Phyllis
• Darron Flagg — Salomo
• George Aguilar — Cahuenga
• G. Smokey Campbell — Sal
• Hans Stadlbauer — Muenchgstettner
• Alan S. Craig — Eric
• Apesanahkwat — Xerife Arnie
• Ronald Lee Jarvis — Caminhoneiro Ron
• Mark Daneri — Caminhoneiro Mark
• Ray Young — Caminhoneiro Ray
• Gary Lee Davis — Caminhoneiro Gary

Após umas poucas cenas iniciais ficamos sabendo que Brenda é a proprietária do lugar. Bagdad Café é uma pequena parada para abastecimento de caminhões perdida no meio do deserto de Mojave, próximo a Las Vegas. Um lugar no meio do nada onde se reúnem improváveis representantes da fauna humana, como: um artista de Hollywood aposentado, o xerife indígena, uma tatuadora que também presta “outros serviços” a homens desacompanhados; e uma turista alemã que parece ser muito esquisita.
Breve dona Brenda irá conhecer a sra. JASMIN, turista recém-chegada da Alemanha. O que inicialmente as une é que ambas acabam de se separar de seus maridos. Fora isso, demonstram ter personalidades bastante diferentes e o convívio entre elas parece ter poucas chances de acabar bem.

Brenda, a mulher negra, é autoritária, durona e vive aos berros com todos a seu redor (a filha, o marido, o empregado). É a natureza áspera e rude do deserto. Os negócios não prosperam e ela parece não ter muito jeito para lidar com os desafios diários impostos por eles. Além disso, nada funciona direito no posto de serviços, onde nem mesmo a máquina de fazer café está inteira. Faltam mantimentos, equipamentos, falta ordem e limpeza, enfim, falta quase tudo. Por algum motivo, sra. Brenda fica desgostosa quando a forasteira , invadindo seu espaço, resolve ficar hospedada ali, e, pior ainda, quando decide fazer uma faxina no local. Este simples gesto corriqueiro provoca não o agradecimento, mas a ira da dona. Mal sabia Brenda que o gesto assim tão simples, iria trazer uma atmosfera de liberdade, entendimento e cooperação, contagiando as pessoas do lugar. Pura magia!
Linda a cena em que elas inicialmente se vêem. O que as une naquele instante é a perda recente do amor (maridos); mas, será que existe apenas um tipo de amor no mundo? Enquanto uma enxuga as lágrimas, a outra enxuga o suor e a poeira do árido deserto. Sra. Jasmin que nem devia estar hospedada num lugar tão inóspito, acaba se deixando ficar um pouco mais, como se algo a prendesse a Bagda Café.

“As palavras são poucas, e o silêncio é quebrado pela música de um velho piano e pelos gritos de Brenda. As raízes do caos e da hostilidade cresciam fortes até o momento que Jasmim surge, igualmente perdida e esquecida, mas guiada por sonhos e penetra como hóspede naquele mundo duro e seco. Inicialmente hostilizada por Brenda, conquista espaço aos poucos e de repente, estão todos se ajudando como num passe de mágica. Jasmim limpa, organiza e harmoniza o bar-café e o transforma num ponto de parada obrigatória para motoristas que passam pela região. E cresce, então, a flor dos sonhos, cobrindo as raízes secas da amargura. Desde o início, Rudi Cox foi o único que a compreendeu, talvez por ser pintor tenha conseguido ver luz onde havia apenas sombras. E Jasmim torna-se a amiga estrangeira que fascina e compreende os filhos de Brenda; torna-se a mulher que alimenta as fantasias do velho pintor solitário; e passa a ser a companheira da dona do Café Bagdad. Jasmim, a enorme alemã, liga-se a Brenda, a negra de corpo mirrado, mas ambas são fortes. ‘Bagdad Cafe’ é um filme de contrastes onde surgem as identificações.” Ver refer.completa em: www.pintandomusica.blogspot.com/2010/04/bagdad-cafe.html

A obra tem mensagens positivas sem cair no didatismo fácil. Solidariedade – participação – entendimento – respeito mútuo e empatia, são alguns valores que permeiam o filme. A trilha sonora utiliza som ambiente local, que causa o efeito de nos aproximar ainda mais daquele micro universo. É o som do vento, do bumerang no ar, dos passos na areia do deserto. Lá pelas tantas ocorre uma reviravolta no enredo a partir de gestos simples, pequenas ações realizadas pela turista alemã.
No final fica evidente o protagonismo feminino, a tal ponto que quando Jasmin é pedida em casamento por Rudy (Jack Palance) – declara que vai consultar dona Brenda a respeito. O filme todo é carregado de inferências, metáforas e simbolismo, de tal modo que vale a pena ser visto mais de uma vez para que sejam captadas determinadas sutilezas, invisíveis ao primeiro olhar.
(elisilvéria 20set2010)

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A ORIGEM - Tinha tudo pra ser bom, mas...


A Origem- Diretor: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Cillian Murphy, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Michael Caine, Tom Berenger
Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas
Roteiro: Christopher Nolan - Ano: 2010

(por Pássaro Preto)

Quer dizer, não que não tenha coisas boas no filme. Eu assisti lembrando daquela cena do Amadeus em que Mozart explica ao perplexo rei por quanto tempo ele conseguiria introduzir novos personagens em uma cena de ópera. A Origem faz isso melhor que nenhum outro filme que eu me lembre.
Não se trata de "montagens paralelas" - isso tem de monte no cinema - mas de rupturas que, ao quebrar a sequência narrativa, imprime novas camadas de significação. Como se o diretor perguntasse pra nós: -quantas novas narrativas eu sou capaz de fazer você engolir sem que (e isso é importante) se rompa o fluxo de temporalidade radicalmente, em negativo. Ou seja: para que continuemos em Hollywood, e não passemos para Godard. Para que seja um filme do gênero assalto, sem tornar-se cinema experimental. E são muitas as camadas envolvidas de fato... A melhor, eu acho que é a relação estabelecida com o cinema, como são todos os efeitos e enredos espetaculares, que no fundo não passam de uma forma de introduzir uma ideia bem simples - encomendada por um megaempresário poderoso - em nosso subconsciente. Essa é boa porque não aparece tão mastigada quanto outras, mas diluída na própria ação do filme.

O problema do filme é justamente que, para sustentar sua arquitetura faraônica e mirabolante, o diretor tem que chamar a atenção para ela - A ESTRUTURA - incessantemente. Tem de repetir o filme inteiro que a mente que adentramos é na verdade do Di Caprio, que é ele tentando superar um trauma. Os demais personagens acabam se tornando rasos, meras engrenagens; dispositivos que fazem caminhar o talento egocêntrico de Nolan, que se sobrepõe à obra. A arquitetura do filme é sobrevalorizada, colocando em segundo plano o conteúdo. É só comparar a falta de carisma e profundidade dessas personagens (mesmo Di Caprio é menos profundo que o esquema em que se envolve) com o Cavaleiro das Trevas, onde a grandeza do enredo de ação contribui para aprofundar ainda mais a relação de complexidade entre as personagens. No caso da Origem, todos são coadjuvantes. Daí o paradoxo da estrutura ser complicadíssima, ao mesmo tempo em que se esforça por tornar óbvias as camadas de profundidade e relações feitas, sem deixar espaço para um questionamento do espectador. O filme é um quebra cabeça estrutural (muito bem feito e que tem sentido, ao contrário do que andam falando), que, ao ser resolvido, deixa tudo como está. De novo, bem diferente do Coringa, um ponto de vista que não pode ser levado até o fim pela Indústria.

O problema estrutural básico do filme é que à complexidade radical da forma não corresponde uma complexidade de conteúdo, ou ainda, a complexidade formal só se sustenta por uma atomização do conteúdo. A forma que Nolan escolhe para manter o espectador por dentro do que está acontecendo sem se perder, é deixando por demais evidente o que está acontecendo. O óbvio ululante, um quebra cabeças de mil peças, que ao final, é uma imagem do Cebolinha com a Mônica, exagerando um pouco. Ele se prepara para questionar a estrutura do cinema, mas produz um espetáculo grandioso em que o sujeito (no caso, Nolan), em sua forma espetacular é celebrado - de novo, não é por ser um filme hollywoodiano. O Cavaleiro das Trevas também é, e consegue ser bem mais questionador, sem deixar de ser o mais empolgante filme de ação do ano. A Origem não consegue se decidir. Não que não existam surpresas; o filme é feito de surpresas, mas essas são preparadas por um caminho bem posto, tranquilo até certo ponto. Algo do tipo: oh, aqui parece ser só ação, mas também tem a questão psicanalítica, viu? Olha aqui a mulher reprimida. O filme peca por didatismo em vários momentos. Por personagens que tem função didática, por um enredo que também mantém, apesar de tudo, certo didatismo: o chato do Di Caprio tentando superar seu próprio trauma do jeito mais mirabolante possível.
09.set.10

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